O presidente do Sinduscon Brusque, Ralf Maschio, afirmou nesta sexta-feira (24), durante entrevista ao programa Rádio Revista Cidade, que a primeira turma do programa Profissão Construir já está com as vagas praticamente preenchidas e deve ganhar lista de espera para futuras edições. O curso é gratuito e tem como objetivo qualificar novos profissionais para o setor da construção civil.
A aula inaugural está marcada para o dia 6 de agosto, enquanto as atividades começam efetivamente em 11 de agosto. Inicialmente, foram abertas 20 vagas, mas o sindicato avalia a possibilidade de ampliar em mais duas ou três vagas, conforme a capacidade da sala e da equipe de ensino. O curso terá 69 horas de duração, com aulas às terças e quintas-feiras à noite, ao longo de aproximadamente três meses.
Segundo Maschio, o programa já foi aplicado com sucesso em Joinville e agora está sendo expandido para outras cidades catarinenses, incluindo Brusque. A primeira etapa é voltada à iniciação na construção civil, oferecendo uma visão geral das principais áreas do setor, como elétrica, pintura, alvenaria, hidráulica e sistemas construtivos industrializados.
O presidente destacou que o curso pode ser feito tanto por pessoas sem qualquer experiência quanto por profissionais que já atuam como auxiliares e desejam melhorar a qualificação. “A pessoa sai com conhecimento geral e pode escolher qual caminho quer seguir dentro da construção civil”, explicou.
Mercado já espera pelos alunos
Durante a entrevista, Maschio revelou que a própria empresa dele possui vagas em aberto e que parte dessas oportunidades foi mantida aguardando a conclusão da primeira turma. Ele acredita que um dos principais objetivos do programa é justamente aproximar empregadores e futuros trabalhadores.
De acordo com o Sinduscon, o Profissão Construir já formou mais de mil alunos em Santa Catarina, em mais de 100 turmas, com índice de aproximadamente 80% de empregabilidade após a conclusão do curso.
Falta de mão de obra é o principal gargalo
Maschio afirmou que a escassez de trabalhadores continua sendo o maior desafio da construção civil na região. Além da dificuldade de encontrar profissionais qualificados, o setor enfrenta um problema crescente de rotatividade, com muitos trabalhadores trocando rapidamente de emprego.
Ele também destacou que o programa busca mudar a percepção sobre a construção civil, mostrando que o setor oferece boa remuneração, ambiente mais organizado e tecnologias mais modernas do que no passado.
Construção mais tecnológica e sustentável
Outro tema abordado foi o avanço da industrialização da construção civil. O presidente citou empresas de Brusque que já trabalham com sistemas modulares, steel frame e painéis industrializados, reduzindo o desperdício de materiais e a dependência de mão de obra tradicional. Segundo ele, enquanto obras convencionais podem gerar de 25% a 30% de resíduos, os sistemas industrializados conseguem ficar abaixo de 10%.
Para Maschio, a combinação entre qualificação profissional e novas tecnologias será fundamental para atender à demanda futura por moradias na região. O Sinduscon participou recentemente de discussões sobre o crescimento populacional de Brusque e a projeção de déficit habitacional até 2050, mas reforçou que, antes de ampliar a oferta de imóveis, é necessário garantir mão de obra suficiente para sustentar o desenvolvimento do setor.




