O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Brusque está realizando uma série de obras para reforçar o sistema de abastecimento e reduzir os problemas de falta de água nos períodos de maior consumo. Em entrevista ao programa Conexão 92, o diretor-presidente da autarquia, Rodrigo Cesari, afirmou que as intervenções fazem parte de um planejamento voltado para garantir maior segurança hídrica nos próximos anos.
De acordo com Cesari, somente neste ano o Samae já substituiu mais de 4,5 quilômetros de redes de abastecimento, um número considerado histórico para a autarquia. Segundo ele, além de melhorar a qualidade da água, a troca das tubulações aumenta a pressão da rede e facilita o abastecimento de bairros mais altos.
"O problema do Samae muitas vezes não é a falta de água, mas a necessidade de melhorar as redes para que ela chegue com pressão e qualidade às residências", destacou.
Entre as principais obras está a modernização do sistema de bombeamento na região do Maluche, responsável pelo abastecimento dos bairros Dom Joaquim, Santa Cruz e localidades próximas. A intervenção aumenta a capacidade da elevatória e permitirá que a água chegue com maior pressão, especialmente durante o verão.
O presidente explicou que, durante a execução dos trabalhos, pode ocorrer alteração temporária na coloração da água devido à movimentação de resíduos acumulados nas tubulações. Segundo ele, a situação é normal e faz parte do processo de pressurização da rede.
Além das obras em andamento, o Samae também prepara investimentos para acompanhar o crescimento da cidade. Cesari informou que uma empresa especializada foi contratada para elaborar um estudo técnico que apontará a melhor estratégia para garantir o abastecimento pelos próximos 30 anos.
Entre as alternativas analisadas estão a construção de novos reservatórios em bairros estratégicos, como Volta Grande, Limeira, Águas Claras e Cristalina, além da ampliação da capacidade da Estação de Tratamento de Água Central. Os investimentos deverão ser realizados com recursos provenientes da concessão do sistema de esgoto.
"O estudo vai mostrar qual é o caminho mais eficiente para garantir água para a população nas próximas décadas. Precisamos investir com responsabilidade para atender o crescimento de Brusque", afirmou.
Cesari também comentou as ações voltadas aos impactos de períodos chuvosos e do fenômeno El Niño. Segundo ele, a Estação de Tratamento do Ribeirão do Mafra é uma das mais sensíveis ao aumento da turbidez da água, o que reduz sua capacidade de produção. Como alternativa, o Samae estuda a perfuração de um poço para manter o abastecimento da região mesmo quando a estação precisar interromper a captação.
Outro ponto destacado pelo diretor-presidente foi o trabalho conjunto com o programa Asfaltaço. Conforme explicou, antes da pavimentação das ruas, o Samae realiza uma avaliação técnica das redes de abastecimento e substitui as tubulações quando necessário, evitando futuras intervenções no asfalto recém-executado.
Apesar disso, Cesari ressaltou que rompimentos ainda podem ocorrer, inclusive em redes novas, devido a fatores como movimentação do solo, situação que nem sempre pode ser prevista pelos estudos técnicos. Segundo ele, o objetivo da autarquia é reduzir ao máximo esses riscos por meio de planejamento e investimentos contínuos.




