As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública por, na maioria dos casos, evoluírem de forma silenciosa. O alerta foi feito pela médica gastroenterologista e hepatologista Dra. Josiane Fischer durante entrevista ao Rádio Revista Cidade, nesta segunda-feira (27), quando destacou a importância da conscientização no Julho Amarelo, mês dedicado à prevenção e combate à doença.
Segundo a especialista, as hepatites B e C podem permanecer por anos sem apresentar sintomas, fazendo com que muitos pacientes descubram a doença apenas quando já desenvolveram complicações graves, como cirrose ou câncer de fígado. Por isso, ela reforça que o diagnóstico precoce é essencial.
"As hepatites são doenças assintomáticas. Muitas vezes, quando aparecem os sintomas, a pessoa já apresenta cirrose ou câncer no fígado", explicou a médica.
Durante a entrevista, Josiane explicou que os vírus das hepatites possuem formas diferentes de transmissão. As hepatites A e E são adquiridas principalmente por meio do consumo de água ou alimentos contaminados, enquanto as hepatites B e C são transmitidas pelo contato com sangue contaminado, incluindo o compartilhamento de objetos cortantes, como alicates de unha, lâminas de barbear e agulhas, além de relações sexuais desprotegidas.
A médica ressaltou que, mesmo sem sintomas, pessoas acima dos 45 anos ou que nunca realizaram o exame devem procurar uma unidade de saúde para fazer o teste rápido. O exame é gratuito e o resultado fica pronto em cerca de 15 minutos. Ela também orienta que familiares de pessoas diagnosticadas com hepatite façam o teste preventivamente.
Outro ponto destacado foi a vacinação contra a hepatite B, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A especialista lembra que pessoas nascidas antes de 1992 devem verificar a carteira de vacinação e, caso necessário, completar o esquema de três doses. Para a hepatite C ainda não existe vacina, porém a doença tem tratamento e índices de cura superiores a 95% quando diagnosticada precocemente. Já a hepatite B não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos, reduzindo significativamente o risco de evolução para cirrose e câncer.
Josiane também explicou que gestantes realizam obrigatoriamente os exames para hepatites B e C durante o pré-natal, uma vez que existe risco de transmissão para o bebê. Nestes casos, medidas preventivas permitem reduzir significativamente essa possibilidade.
Ao final da entrevista, a médica reforçou que o combate às hepatites depende da prevenção, da vacinação e do diagnóstico precoce. Segundo ela, a identificação da doença antes do surgimento de complicações aumenta as chances de tratamento e evita casos de cirrose, câncer de fígado e novas transmissões do vírus.




