O crescimento das vendas de imóveis com financiamento direto pelas construtoras tem facilitado o acesso à casa própria e aos investimentos imobiliários, mas também exige atenção dos compradores. O assunto foi tema de entrevista do empresário do setor imobiliário Marcelo Dell'Agnolo ao programa Conexão 92, onde ele alertou para a importância de avaliar a saúde financeira das empresas antes de fechar qualquer negócio.
Segundo Dell'Agnolo, é cada vez mais comum encontrar empreendimentos com parcelamento em até 120 ou 144 meses, sem a participação de instituições financeiras. Apesar das facilidades, ele ressalta que esse modelo faz com que a própria construtora financie a obra e o imóvel por um longo período.
"O que eu levanto o questionamento é se isso é saudável para a construtora. A pessoa está pagando esse apartamento em 12 anos, mas a construtora entrega ele pronto em quatro ou cinco anos. Isso depende de um capital muito forte durante a obra."
Para o empresário, antes de comprar um imóvel na planta é fundamental pesquisar o histórico da empresa responsável pelo empreendimento, verificando sua credibilidade e capacidade financeira.
"O comprador não pode comprar na empolgação. Ele precisa olhar com atenção de quem está comprando. O corretor de imóveis também precisa ter muita atenção em relação a isso."
Marcelo Dell'Agnolo também comentou que não acredita na formação de uma bolha imobiliária em Santa Catarina. Na avaliação dele, o mercado segue aquecido devido ao crescimento econômico do estado e à chegada constante de novos moradores. No entanto, algumas construtoras poderão enfrentar dificuldades caso não mantenham uma gestão financeira responsável.
"Eu acredito que as construtoras, inevitavelmente, vão ter que se adequar, vão ter que dar um passo atrás e se organizar. Mas eu não acredito em bolha. Acredito que o nosso mercado vai continuar crescendo por muitos anos."
Outro tema abordado foi a grande quantidade de salas comerciais disponíveis em Brusque. Segundo Dell'Agnolo, a mudança no comportamento dos consumidores e o avanço do comércio eletrônico reduziram a procura por imóveis destinados ao varejo tradicional, enquanto a demanda por galpões logísticos continua crescendo.
"O e-commerce está tomando muito espaço do varejo tradicional. A gente vê sobra de salas comerciais, mas, por outro lado, vê galpões sendo construídos e alugados."
O empresário também destacou que os empreendimentos financiados por instituições bancárias oferecem uma camada adicional de segurança para o comprador, já que os bancos acompanham a execução da obra antes de liberar os recursos.
"Quando o banco entra como garantidor da obra, realmente você tem uma segurança maior."
Por fim Marcelo reforçou que, independentemente da forma de pagamento, o mais importante é que o comprador faça uma análise criteriosa da empresa responsável pelo empreendimento. Para ele, pesquisar o histórico da construtora e buscar informações antes de assinar o contrato são medidas que podem evitar prejuízos e garantir um investimento mais seguro.




