A nova delegada da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente e Idoso (DPCAI) de Brusque, Beatriz Ribas, foi a entrevistada desta sexta-feira (28) do programa Rádio Revista Cidade. Durante a conversa, ela falou sobre os desafios da nova função, o aumento das denúncias de violência e as principais ocorrências atendidas pela unidade.
Com 16 anos de carreira na Polícia Civil, a delegada está há cerca de três meses em Brusque. Ela assumiu a DPCAI após a divisão da antiga estrutura que reunia os atendimentos relacionados a crianças, adolescentes, idosos e violência doméstica.
Com a mudança, os casos de violência doméstica passaram a ser atendidos por uma unidade específica DEAM, enquanto a DPCAI ficou responsável pela proteção de crianças, adolescentes e idosos. Segundo Beatriz, a separação permite que os policiais tenham mais condições de dar atenção às diferentes demandas.
Durante a entrevista, a delegada destacou que uma das prioridades da unidade é o combate aos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes.
Ela explicou que muitos casos chegam à polícia por meio da chamada revelação espontânea, quando a vítima conta o que está acontecendo durante atendimentos realizados pela rede de proteção, principalmente em escolas, unidades de saúde e serviços de acompanhamento psicológico.
Mudanças de comportamento, queda no rendimento escolar, isolamento, agressividade, perda de apetite e marcas de agressão podem servir como sinais de alerta.
A delegada ressaltou ainda que muitos abusos acontecem dentro do próprio ambiente familiar, envolvendo pessoas próximas às vítimas, o que pode dificultar a denúncia.
Beatriz também explicou que a polícia precisa ter cautela na apuração dos casos, especialmente em situações envolvendo disputas familiares e acusações de violência sexual.
Segundo ela, profissionais especializados realizam a escuta das crianças e adolescentes, evitando que a vítima seja diretamente interrogada na delegacia. O objetivo é obter informações de maneira adequada e sem provocar novos traumas.
A delegada também citou situações de possível alienação parental, nas quais denúncias podem ser utilizadas em disputas pela guarda dos filhos. Por isso, medidas como afastamento de familiares precisam ser tomadas com base em indícios suficientes.
Em relação aos idosos, a delegada afirmou que os casos registrados são menos frequentes, mas que a principal preocupação está relacionada à apropriação indevida de aposentadorias, pensões e outros recursos financeiros.
Segundo Beatriz, familiares que assumem os cuidados de um idoso podem administrar os recursos, mas o dinheiro deve ser utilizado em benefício da própria pessoa, como alimentação, medicamentos e tratamentos.
A entrevista também abordou a importância da participação da comunidade na identificação de situações de violência.
Denúncias podem partir de familiares, vizinhos ou até mesmo de pessoas que presenciam situações suspeitas. A delegada destacou que, em muitos casos, vizinhos acabam denunciando episódios de violência doméstica após ouvirem pedidos de socorro ou presenciarem agressões.
A DPCAI também mantém contato com a rede de proteção, envolvendo órgãos como Conselho Tutelar, educação e saúde, para agilizar o encaminhamento e a investigação das situações de violência.
Durante a entrevista, Beatriz Ribas reforçou que a integração entre os órgãos é fundamental para garantir proteção às vítimas e responsabilizar os autores dos crimes.




