O abastecimento de água em Brusque segue normalizado mesmo após a forte elevação do Rio Itajaí-Mirim provocada pelas chuvas dos últimos dias. A informação foi confirmada pelo diretor-presidente do SAMAE, Ruan Carlos Reis, durante entrevista ao Rádio Revista Cidade nesta terça-feira (1º).
Segundo Ruan, a água chegou a invadir a região da captação no Guarani, mas o sistema não precisou ser interrompido em nenhum momento. A estrutura conta atualmente com três bombas, sendo duas em operação contínua e uma mantida como reserva.
O diretor explicou que a captação consegue manter o funcionamento mesmo com o aumento do nível do rio. A principal dificuldade provocada pela chuva está relacionada ao aumento da turbidez da água, o que exige maior utilização de produtos químicos e mais descargas durante o tratamento.
O SAMAE também pretende reduzir em cerca de 50 centímetros o nível da barragem na região da captação. A intervenção já foi iniciada, mas, devido às fortes chuvas e às características do sistema, o trabalho precisará ser realizado com cautela.
De acordo com Ruan, a estrutura foi projetada com as bombas instaladas na posição vertical, e uma alteração mais profunda exigiria mudanças significativas em toda a estrutura. A avaliação técnica aponta que é possível reduzir entre 50 e 60 centímetros sem comprometer o funcionamento da captação.
Estudo vai definir investimentos no abastecimento
Durante a entrevista, o diretor-presidente também falou sobre um estudo técnico que está sendo realizado para fazer um diagnóstico completo do sistema de abastecimento de Brusque.
O levantamento pretende identificar os principais pontos que precisam de investimentos, principalmente nas áreas de reservação e produção de água para os próximos 15 a 20 anos.
A análise abrange toda a estrutura do SAMAE e também inclui o bairro Águas Claras, região que frequentemente registra problemas de abastecimento nos pontos mais altos.
Segundo Ruan, o estudo preliminar foi entregue ao SAMAE nesta segunda-feira (31), e os resultados deverão ajudar a definir onde serão aplicados os cerca de R$ 60 milhões provenientes da outorga do serviço de esgotamento sanitário.
Entre as obras já previstas está a construção de um reservatório no bairro Rio Branco. Também está em andamento a preparação para um reservatório na Volta Grande, com capacidade de 2 milhões de litros.
Para Águas Claras, a expectativa é que um novo reservatório seja licitado no próximo ano. O bairro também deverá receber melhorias com a implantação de uma nova adutora na Rua Santa Cruz, prevista para começar na segunda quinzena de setembro.
Outro assunto abordado foi a transferência da gestão comercial do serviço de água para a Ambiental, prevista para começar em novembro.
A empresa deverá assumir atividades como leitura, faturamento, corte e religação, enquanto o SAMAE continuará responsável pelo serviço de abastecimento de água. A autarquia também manterá equipes de fiscalização para acompanhar a execução do contrato.
A previsão é que a Ambiental comece efetivamente a realizar o faturamento a partir de dezembro.
Ruan explicou ainda que servidores atualmente envolvidos com corte e religação poderão ser remanejados para outras funções, especialmente para reforçar áreas técnicas e de fiscalização.
A fiscalização de possíveis ligações irregulares e casos de furto de água também permanece sendo realizada pelo SAMAE.
Ruan afirmou que as denúncias continuam sendo apuradas, embora o setor esteja atualmente bastante envolvido com outras demandas, como a troca de hidrômetros e ações para reduzir as perdas de água no sistema.
O diretor-presidente confirmou ainda que o SAMAE vem trabalhando para reduzir a dependência de pequenas estações de tratamento.
A estação da Volta Grande já foi desativada, e a água da região passou a ser enviada a partir do sistema central. A próxima unidade que deve ser desativada é a de Santa Luzia.
Já a estação do Zantão deverá continuar funcionando, principalmente porque recebeu investimentos recentes e tem conseguido manter o tratamento mesmo em períodos de chuva e alta turbidez.
Atualmente, segundo Ruan, cerca de 80% do abastecimento de Brusque é atendido pela Estação de Tratamento de Água Central.
Sobre a possibilidade de implantação de uma nova estação de tratamento na região da Cristalina, Ruan explicou que a definição ainda depende do estudo técnico.
Uma das alternativas analisadas é ampliar a estrutura existente no Centro, inclusive com novos módulos de tratamento. Caso essa seja a decisão, a estimativa é de uma nova estrutura com capacidade de aproximadamente 200 litros por segundo.
O objetivo do estudo, segundo Ruan, é definir a melhor forma de aplicar os recursos disponíveis e estabelecer um planejamento para ampliar a produção, a reservação e a distribuição de água em Brusque nos próximos anos.




