O Setembro Amarelo reforça, durante este mês, a importância de falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Em entrevista ao Conexão 92, a coordenadora da Saúde Mental de Brusque, Eli Maria Menegasso, e a assistente social do CAPS, Gorete Ávila, falaram sobre os desafios enfrentados pela rede e a importância de identificar sinais de sofrimento emocional.
Segundo Eli, embora a campanha seja intensificada em setembro, a prevenção ao suicídio precisa ser discutida durante todo o ano. Ela destacou que os serviços de saúde mental do município acompanham casos de diferentes faixas etárias, incluindo crianças, adolescentes e adultos.
A coordenadora também chamou atenção para sinais que podem indicar que uma pessoa está passando por um período de sofrimento intenso, como isolamento social, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer e mudanças de comportamento.
Para ela, a busca por ajuda não deve ser encarada como sinal de fraqueza. O acolhimento e o encaminhamento para os serviços especializados podem ser fundamentais para quem enfrenta uma situação de sofrimento emocional.
Família tem papel fundamental
Durante a entrevista, as profissionais também destacaram a importância da participação da família, especialmente no acompanhamento de crianças, adolescentes e pessoas em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Eli afirmou que a rotina cada vez mais acelerada e o uso excessivo de tecnologia podem contribuir para o distanciamento dentro das próprias famílias. Por isso, os pais e responsáveis precisam observar mudanças no comportamento dos filhos e manter uma relação de proximidade e diálogo.
Gorete Ávila explicou que o trabalho do assistente social no CAPS envolve acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento dos pacientes para diferentes serviços da rede pública, conforme cada necessidade. Também são realizados grupos com familiares dos pacientes.
A assistente social ressaltou ainda que o envolvimento da família pode fazer diferença na evolução do tratamento. Segundo ela, o suporte familiar é importante para garantir que o paciente consiga manter o acompanhamento e as orientações dos profissionais.
Ações durante o Setembro Amarelo
A coordenadora da Saúde Mental também apresentou algumas das ações previstas para o mês. Entre elas está uma caminhada no dia 10 de setembro, data de mobilização da campanha, com participação de pacientes e usuários dos serviços de saúde mental.
Também estão previstas ações de conscientização em escolas e atividades voltadas a grupos da comunidade, levando informações sobre o funcionamento do CAPS, a porta de entrada dos serviços e como buscar atendimento.
Durante a entrevista, as profissionais também falaram sobre o preconceito que ainda existe em relação ao tratamento de saúde mental. Segundo Gorete, algumas pessoas chegam a esconder da própria família que estão sendo atendidas pelo CAPS, o que dificulta a construção de uma rede de apoio.
Onde buscar ajuda
Ao final da entrevista, Eli deixou uma mensagem para as pessoas que estejam enfrentando sofrimento emocional, reforçando que não é preciso enfrentar a situação sozinha.
A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde, o CAPS ou outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Ela também destacou a importância de familiares, amigos e colegas estarem atentos às mudanças de comportamento e oferecerem acolhimento, sem julgamentos.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) também oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.




