O colesterol é uma substância necessária para o funcionamento do organismo, mas quando está em níveis elevados, especialmente o LDL, conhecido popularmente como “colesterol ruim”, pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares. O alerta foi feito pelo cardiologista e internista Dr. Hailton Boing Junior, entrevistado nesta segunda-feira (7) pelo Rádio Revista Cidade.
Segundo o especialista, o colesterol participa de funções importantes no organismo, como a produção de hormônios e a formação das células. O problema está principalmente no excesso de LDL, que pode se acumular na parede das artérias, provocar um processo inflamatório e contribuir para a formação das chamadas placas de gordura.
Já o HDL, conhecido como “colesterol bom”, auxilia na retirada do colesterol da circulação e no transporte até o fígado. De acordo com o cardiologista, níveis baixos de HDL também estão relacionados a um risco maior de aterosclerose.
Colesterol é considerado uma doença silenciosa
Um dos principais alertas feitos durante a entrevista foi sobre a ausência de sintomas. Na maioria dos casos, o colesterol elevado não provoca sinais perceptíveis no dia a dia e acaba sendo identificado por meio de exames de sangue.
O médico explicou que algumas alterações na pele, na região dos olhos ou das orelhas podem aparecer em determinados casos, mas não são obrigatórias. Por isso, uma pessoa pode estar com níveis elevados de colesterol sem apresentar qualquer sintoma.
O especialista também destacou que ser magro não significa estar protegido contra o colesterol alto. Embora a obesidade e os maus hábitos alimentares possam contribuir para alterações nos níveis de colesterol, pessoas com peso considerado normal e que mantêm uma alimentação equilibrada também podem apresentar índices elevados.
Fator genético tem papel importante
Durante a conversa, Dr. Hailton chamou atenção para a influência genética nos níveis de colesterol. Segundo ele, o colesterol elevado pode estar relacionado a características hereditárias e, em alguns casos, exigir tratamento contínuo.
Um dos exemplos é a hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pode provocar níveis muito elevados de colesterol e aumentar significativamente o risco de doenças cardiovasculares.
Por isso, pessoas com histórico familiar de infarto, AVC ou doenças cardíacas devem conversar com um médico e avaliar a necessidade de realizar exames, inclusive em idade mais jovem.
O cardiologista destacou ainda que a investigação pode começar na infância quando existe histórico familiar importante. Durante a entrevista, ele citou que alterações de colesterol podem ser encontradas inclusive em crianças.
Alimentação e atividade física
A mudança de hábitos também foi apontada como parte importante do controle do colesterol.
Para o HDL, o chamado colesterol bom, o médico destacou principalmente a atividade física. Em relação à alimentação, a recomendação é reduzir o consumo excessivo de alimentos de origem animal e priorizar uma alimentação equilibrada.
No caso das crianças, o cardiologista alertou para o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, embutidos e lanches industrializados.
Segundo ele, uma alimentação inadequada pode contribuir não apenas para alterações no colesterol, mas também para problemas como obesidade, hipertensão e diabetes.
Não existe alimento ou solução milagrosa
Durante a entrevista, o médico também alertou para a quantidade de informações sobre colesterol que circulam nas redes sociais.
Segundo Dr. Hailton, não existe um único alimento capaz de resolver o problema. O controle da saúde cardiovascular depende de um conjunto de fatores, incluindo alimentação equilibrada, atividade física, controle do estresse, lazer e tratamento adequado das doenças existentes.
Quando é necessário tomar medicamento?
De acordo com o cardiologista, a necessidade de medicação depende da avaliação individual de cada paciente. O médico considera não apenas o resultado do colesterol, mas também outros fatores e exames para determinar o risco de a pessoa sofrer um infarto ou AVC.
Entre os medicamentos utilizados estão as estatinas, que são amplamente empregadas no controle do LDL.
O especialista explicou que alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais, principalmente dores musculares, articulares, sensação de fraqueza ou cansaço. Nesses casos, a orientação é não interromper o tratamento por conta própria, mas procurar o médico para avaliar a possibilidade de ajuste ou troca da medicação.
Diabetes aumenta o risco cardiovascular
Outro tema abordado foi a relação entre colesterol e diabetes. O cardiologista explicou que o colesterol não “evolui” para diabetes, mas as duas condições podem estar presentes simultaneamente.
Quando o paciente tem diabetes, o risco cardiovascular é considerado mais elevado e, por isso, o controle do colesterol precisa ser ainda mais rigoroso.
Controle deve ser acompanhado regularmente
Após o início de uma mudança de estilo de vida ou de um tratamento, o médico explicou que o acompanhamento pode ser feito inicialmente em intervalos de aproximadamente três meses para avaliar a resposta.
Quando os níveis atingem a meta estabelecida para aquele paciente, o acompanhamento pode passar a ser anual, conforme avaliação médica.
Sobre os medicamentos, o cardiologista reforçou que não se deve interromper o tratamento sem orientação profissional, especialmente nos casos em que o colesterol elevado tem origem genética.
Prevenção é o principal caminho
Ao final da entrevista, Dr. Hailton reforçou que o colesterol elevado é uma condição que pode ter consequências graves, mas que é fácil de identificar por meio de exames e possui tratamento.
Ele também destacou que o SUS oferece exames e medicamentos para o tratamento, reforçando a importância de procurar atendimento médico e manter o acompanhamento adequado.
“É uma doença grave, que tem consequências sérias, que é muito fácil de diagnosticar, é muito fácil de tratar”, afirmou o cardiologista durante a entrevista.




