O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer, lembrado nesta segunda-feira (21), foi tema de entrevista no Rádio Revista Cidade. O convidado foi Pedro Thiago Pietschmann Macedo de Medeiros, diretor médico da Secretaria de Saúde de Brusque e especialista em gestão médica.
Durante a conversa, o especialista explicou que um dos principais sinais de alerta para o Alzheimer é a perda de memória progressiva. Segundo ele, o quadro não costuma aparecer de forma repentina, mas começa com pequenos esquecimentos que passam a ocorrer com maior frequência e podem evoluir para dificuldades nas atividades cotidianas.
Pedro Thiago explicou que esquecer eventualmente onde deixou uma chave ou ter um “branco” ao tentar lembrar de alguma informação não significa, necessariamente, que a pessoa tenha Alzheimer. O alerta deve surgir quando esses episódios se tornam frequentes e progressivos.
“O problema é que se der um branco hoje, aí no dia seguinte dá o branco de novo, no dia seguinte de novo e aí começa a ficar cada vez mais frequente”, explicou.
O médico também destacou que o Alzheimer é o tipo de demência mais prevalente, representando cerca de 60% dos casos de demência, mas existem outras doenças que podem provocar alterações cognitivas. Por isso, segundo ele, uma mudança repentina na memória pode estar relacionada a outras condições e precisa ser avaliada por profissionais de saúde.
Família tem papel importante na identificação
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o papel dos familiares na identificação dos primeiros sinais. De acordo com Pedro Thiago, muitas vezes a própria pessoa que está desenvolvendo a doença não percebe inicialmente as mudanças de comportamento ou memória.
Por isso, a família pode ser fundamental para observar alterações que passam a fazer parte da rotina. A atenção deve ser redobrada quando esquecimentos, dificuldades ou comportamentos diferentes começam a se repetir e interferir nas atividades do dia a dia.
O especialista também falou sobre o suporte oferecido pela atenção básica de saúde às famílias que convivem com pacientes com Alzheimer. Segundo ele, embora não exista um treinamento formal específico para familiares nas unidades de saúde de Brusque, os profissionais estão preparados para orientar sobre os cuidados necessários.
“Todos os nossos profissionais estão capacitados para orientar a família de como cuidar, de como reagir, de como adaptar os móveis da casa para o paciente”, afirmou.
A possibilidade de contar com um cuidador também pode ser discutida com a família, levando em consideração a realidade de cada caso. Pedro Thiago ressaltou que não existe uma regra única, já que algumas famílias preferem assumir os cuidados diretamente, enquanto outras podem buscar auxílio de um cuidador.
Atividade física pode ser um fator protetivo
Durante a entrevista, o médico também destacou a importância da atividade física na manutenção da saúde e como possível fator protetivo relacionado ao desenvolvimento de demências.
Segundo ele, a preocupação não deve estar apenas na estimulação do cérebro. A manutenção da massa e da força muscular também possui relação com a capacidade cognitiva e com o envelhecimento saudável.
“Músculo em crescimento, cérebro em desenvolvimento”, destacou Pedro Thiago ao explicar a relação entre atividade física e saúde cognitiva.
O especialista reforçou que existem estudos nessa área e que a atividade física contribui para manter o corpo ativo e a circulação sanguínea, além dos benefícios proporcionados pela própria estimulação muscular.
Ao final da entrevista, Pedro Thiago agradeceu o convite e destacou a importância de levar informação à população sobre uma doença que afeta não apenas os pacientes, mas também familiares e cuidadores.



