A chegada da primavera deve trazer um período de maior atenção para a Defesa Civil de Brusque. Em entrevista ao Rádio Revista Cidade, nesta quarta-feira (23), o diretor da Defesa Civil, Edevilson Cugiki, falou sobre a influência do El Niño, o comportamento do Rio Itajaí-Mirim e as ações de prevenção adotadas pelo município.
Segundo Cugiki, os modelos meteorológicos indicam uma tendência de chuvas acima da média nos próximos meses. A previsão aponta volumes entre 40 e 50 milímetros acima da média em setembro e entre 80 e 100 milímetros acima do esperado para outubro e novembro. A situação é acompanhada pelos órgãos de meteorologia e pode sofrer atualizações ao longo dos próximos meses.
Apesar da preocupação com o aumento das chuvas, o diretor explicou que Brusque não registrou, até o momento, eventos extremos com a mesma intensidade observada em outras regiões de Santa Catarina. Sobre a elevação do Rio Itajaí-Mirim após as chuvas de segunda-feira (21), Cugiki explicou que foram registrados pouco mais de 50 milímetros de chuva na região, com precipitação bastante intensa em alguns períodos, mas distribuída ao longo da tarde e da noite.
O diretor também comentou sobre o funcionamento do novo trecho da Beira-Rio na região do Maluche. Segundo ele, a estrutura produz efeitos principalmente no entorno imediato, ajudando no escoamento da água, mas ainda não é possível determinar com precisão o impacto que terá em diferentes pontos da cidade durante uma grande enchente. Para isso, serão necessários novos eventos de maior magnitude que permitam comparar os níveis do rio.
Durante a entrevista, Cugiki confirmou que a Defesa Civil está finalizando uma atualização do mapa de cotas de enchente de Brusque. O levantamento considera pontos que foram atingidos pelas águas em eventos anteriores e utiliza equipamentos de maior precisão para estabelecer as novas referências.
Segundo o diretor, a parte de elaboração do material já está concluída e a expectativa é que a atualização seja disponibilizada no site da Defesa Civil nas próximas semanas.
A Defesa Civil também acompanha a preparação de diferentes setores do município para possíveis eventos climáticos. Conforme Cugiki, planos de contingência de áreas como Saúde, Obras e Educação estão sendo trabalhados ou atualizados.
Ele destacou ainda que algumas ações que normalmente seriam realizadas mais adiante foram antecipadas, como limpeza de estações e ribeirões. Equipes da Secretaria de Obras, do trânsito e do Samae também permanecem em sistema de sobreaviso durante períodos de maior risco.
Outro assunto abordado foi o projeto para aquisição de um equipamento chamado ADCP, que permite realizar medições mais detalhadas do Rio Itajaí-Mirim.
De acordo com Cugiki, o equipamento possibilita verificar não apenas a profundidade e o relevo do leito do rio, mas também a velocidade e a direção da água em diferentes pontos. A tecnologia poderia contribuir para melhorar os estudos sobre a vazão do rio e aperfeiçoar as projeções de enchentes.
A aquisição ainda não tem prazo definido, já que se trata de um equipamento de alto custo. A Defesa Civil avalia alternativas para viabilizar a compra ou a realização periódica desse tipo de levantamento.
Cugiki também explicou a situação da Rua do Rio Branco, que precisou ser interditada após uma movimentação de solo atingir parte da pista.
Durante uma avaliação realizada no local, equipes identificaram uma cicatriz recente na parte superior da encosta, indicando movimentação do terreno. A Defesa Civil, a Secretaria de Obras e um geólogo da Fundação Municipal do Meio Ambiente participaram da análise.
Segundo o diretor, será necessário retirar árvores que apresentam risco, remover uma grande quantidade de material e posteriormente recuperar o talude. Por se tratar de uma intervenção complexa, a obra depende da programação da Secretaria de Obras, mas a expectativa é de que os trabalhos tenham início em breve.




