A saúde mental de crianças e adolescentes foi tema do Conexão 92 desta segunda-feira (28), que recebeu a médica pediatra Dra. Kaline Canal. Durante a entrevista, ela falou sobre ansiedade, depressão, redes sociais, atividade física e a importância da participação dos pais na rotina dos filhos.
Segundo a médica, ansiedade e depressão estão entre os principais problemas enfrentados pelos adolescentes atualmente. Kaline citou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam que um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos apresenta um desses quadros.
“É principalmente ansiedade e depressão que envolve muitos jovens. A OMS lançou um relatório no ano passado falando também que um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos sofre ou de depressão ou de ansiedade, então é um número bastante alto”, explicou.
Para a pediatra, os hábitos atuais têm influência nesse cenário, principalmente o uso excessivo de redes sociais. “Nosso cérebro precisa estar sempre em constante emoção, sempre recebendo informação nova. Não tem tempo de tédio, não tem tempo de ficar à toa, então isso favorece muito os quadros de ansiedade”, afirmou.
Kaline também destacou que a comparação nas redes sociais pode aumentar a cobrança entre os adolescentes. “A gente compara os nossos bastidores, que é a nossa vida normal, com o palco da vida de todo mundo que está nas redes sociais. Então é uma comparação muito injusta”, disse.
Outro ponto abordado foi a importância da atividade física e das responsabilidades dentro de casa. Segundo a médica, pequenas tarefas ajudam na construção da autoestima e da autonomia.
“Esse sentimento de ‘eu sou capaz de fazer alguma coisa’ molda muito a autoestima. Isso dá mais suporte depois para as pressões e para as responsabilidades da vida adulta”, explicou.
A pediatra ainda fez um alerta sobre a superproteção. Para ela, os pais devem oferecer segurança e carinho, mas também permitir que os filhos enfrentem dificuldades e aprendam a lidar com frustrações.
“Essa superproteção de não deixar com que nada atinja isso vai fazer mais mal do que bem. Você pode dar todo carinho, dizer ‘te amo’ e deixar essa criança, esse adolescente, seguro do seu amor. Essa segurança de ele ter para onde voltar é a maior proteção que você pode dar”, concluiu.




