Atos e ações da Semana da Família são cancelados

O Grupo de Proteção à Infância e Adolescência (Grupia) informou que as ações e eventos alusivos à 10ª Semana da Família, em 2020, que seria realizada de 9 a 23 de maio, foram cancelados. O evento, que já acontece há 15 anos, teria como ponto central ato na Câmara Municipal de Brusque nesta sexta-feira (15), cujo calendário anota o Dia da Família.
Segundo o coordenador do Grupia, Paulo Vendleino Kons, para não deixar a data passar totalmente em branco, o órgão elaborou um manifesto intitulado “Transmitir a vida humana e cooperar na obra da criação”. O documento traz o objetivo de provocar a reflexão sobre o sentido da família, destacando que a instituição vem sendo colocada em prova nos últimos tempos acerca de sua essência.
O documento ressalta que “as transformações sociais e culturais, no tempo presente, promovem a ausência de afeto, a falta de amor ao próximo e o enfraquecimento da verdade na vida conjugal e familiar. É comum ouvir que a família já é uma instituição “superada”, pelo menos na sua forma natural e mais evidente, formada por um casal – homem e mulher -, e por filhos.”
Segue, abaixo, o manifesto na íntegra:
Paulo Vendelino Kons
Idealizador do Grupo de Proteção da Infância e Adolescência – GRUPIA
A família é o núcleo formador da sociedade, espaço de desenvolvimento humano e de construção da identidade das pessoas, de trocas afetivas, de atendimento das necessidades básicas vitais à existência humana - como biológicas, espirituais, psíquicas e sociais. E no decorrer da evolução histórica, a família permanece como matriz do processo civilizatório, como condição para a humanização e para a socialização das pessoas.
E não há plano “B”. Sem família caminhamos para a destruição. Reconhecer, valorizar e auxiliar a família a cumprir sua missão não é apenas nobre idealismo e sim uma necessidade vital para a sociedade e o poder público, pois sem família não há Sociedade, não há Estado. A Família, que constitui o projeto básico de Deus para a existência de toda a humanidade, deve ser defendida e valorizada.
Como nos ensinou João Paulo II: “A família é a base da sociedade e o lugar onde as pessoas aprendem, pela primeira vez, os valores que as guiarão durante toda a vida. Assim, o futuro da humanidade passa pela família.”
E o Grupo de Proteção da Infância e Adolescência – GRUPIA ao fomentar a realização da Semana da Família nos últimos nove anos, congregando a Igreja Católica, o Conselho de Pastores de Brusque, a Igreja Evangélica Luterana, organismos da Sociedade Civil e órgãos do Poder Público, quer reafirmar que a capacidade educadora da família é decisiva, pois é no seio da Família que as crianças adquirem valores como Amor, Ética, Compromisso, Respeito, Conhecimento, Atitude, Fé e Perseverança.
Para nossa tristeza, a pandemia do Covid 19 suspendeu a realização da X Semana Ecumênica da Família de Brusque, que seria neste mês de maio do ano da graça do Senhor de 2020, nos dias 9 a 23.
A instituição família, mesmo sendo projeto de Deus para transmitir a vida humana e cooperar na obra da Criação, vem sendo posta à prova. As transformações sociais e culturais, no tempo presente, promovem a ausência de afeto, a falta de amor ao próximo e o enfraquecimento da verdade na vida conjugal e familiar. É comum ouvir que a família já é uma instituição “superada”, pelo menos na sua forma natural e mais evidente, formada por um casal – homem e mulher -, e por filhos.
E grupos ideológicos militantes, com intenso apoio dos principais veículos de comunicação, querem impor um “novo conceito de família”, separando casamento e família, ou casamento, família e procriação. Pretende-se negar a própria identidade da família. Será isso um avanço da sociedade? E provocam uma grande desorientação sobre os rumos da família.
E infelizmente os projetos de leis da Câmara e do Senado e julgamentos do judiciário brasileiro ultimamente têm seguido alguns caminhos ditados por uma mentalidade global que procura desconstruir a família como sonhada no sábio projeto de Deus para a humanidade.
Nas revistas, novelas, filmes e livros, o amor dos esposos não é mais entendido como uma entrega da vida de um para o outro que, passando pelas crises do convívio, sempre perdoa, ressurge, renasce, renova, cresce e amadurece. O amor é entendido como busca da “minha” felicidade, isto é, como busca de si, tornando o amor entre os esposos superficial e frágil, e, com isso, não há capacidade de resistir às inevitáveis tempestades da vida. O amor esponsal cristão como “decisão de toda uma vida” tem como referencial o amor com que o Senhor nos amou. É um amor que exige busca e luta, sim, mas que dá profunda realização ao viver conjugal.
Diante dessas tentativas, convém refletirmos sobre a estrutura e finalidade da família. Ela é uma instituição natural, núcleo da sociedade dos homens e mulheres. É na família que o indivíduo é “gente” ou reconhecido como pessoa humana com o carinho que ele merece, ao passo que, fora de casa, o indivíduo muitas vezes é um mero número, impessoal e não raramente incômodo.
De acordo com a Lei Natural, a família tem seu fundamento na complementação física e psíquica que homem e mulher – e só eles – prestam um ao outro. Por isso, é uma instituição natural ou decorrente da própria natureza humana.
A sexualidade masculina e a feminina são intencionadas pelo Criador. São inconfundíveis entre si; não se deve procurar reduzir uma à outra. Homem e mulher foram por Deus dotados da mesma dignidade e dos mesmos direitos. Doando-se um ao outro a fim de, juntos, se doarem a Deus, encontram a sua plena realização.
O homem colabora para tanto com a sua racionalidade tendente à ação forte e, por vezes, fria, ao passo que a mulher oferece os dotes de sua intuição direta e profunda, muito sensível aos valores da vida e muito forte na sua paciência: para se realizar dentro do projeto de Deus, que não varia de acordo com os arbítrios, caprichos ou legisladores humanos.
Na educação dos filhos, há uma ideologia, de fundo socialista e evidentemente errônea, segundo a qual o Estado deve ter cada vez mais ingerência na vida da família, talvez, ocupando o lugar natural que sempre coube aos pais – “com amor paterno e materno” – na educação dos filhos. Chegam ao cúmulo de quererem impor marco legal na Educação que obrigue as escolas a ensinarem, desde as séries iniciais, que ninguém nasce homem ou mulher, mas que cada indivíduo deve construir sua própria identidade, isto é, seu gênero, ao longo da vida. “Homem” e “mulher”, portanto, seriam apenas papéis sociais flexíveis, que cada um representaria como e quando quisesse, independentemente do que a biologia determine como masculino e feminino.
Os pais têm a obrigação de formar seus filhos para os princípios essenciais da vida de fé e para os valores humanos. Assim devem estar atentos a três importantes fatores educacionais: a educação sexual, os valores ensinados na escola convencional, pública ou particular, e a formação religiosa. Nas escolas, caso se ensinem ideologias contrárias à fé cristã, cada família, juntamente com outras, deve, com todas as forças e com sabedoria, ajudar os jovens a não se afastarem da fé, além de promoverem as ações administrativas, civis e penais que couberem no caso concreto.
No tempo de Jesus, quando desrespeitaram o matrimônio, Ele disse: “no princípio, quando Deus fez homem e mulher, não foi assim” (cf. 19,3-8). E os cristãos, no cumprimento de sua missão, continuam a indicar o rumo para o casamento e a família, contribuindo para uma sociedade sadia.
Bem sabemos que a família é o alicerce da sociedade. Se a família não vai bem, a sociedade também não irá bem. E o rumo que apresentamos não pode ser diferente daquele que Deus indicou, já “no princípio”, já na natureza humana, e que Cristo confirmou. A família não pode perder sua evidência vital.
E através da Semana da Família o GRUPIA propõe a todos refletirem sobre a família hoje, pois estamos sujeitos a uma pressão contrária constante, e não cristã, que, sem que o percebamos, transforma nosso pensar, e o transforma para pior.
Assim a família precisa ser devidamente reconhecida, cuidada e amparada. Uma sociedade que descuida da família, criada por Deus, descuida de suas próprias bases.
E o cristão nunca deve se esquecer, por mais que isso lhe custe perseguições, de que Deus criou homem e mulher e o homem deixará seu pai e sua mãe, se unirá à mulher e já não serão dois, mas uma só carne (Gn 1-3; Mc 10,11s; Lc 16,18 e 1 Cor 7,10; Ef 5,21-33).



