URGENTE: decreto proíbe uso de água em ações não essenciais

A partir de hoje, terça-feira (12), está proibida em Brusque a utilização de água para ações que não são consideradas essenciais em serviços domésticos. O Decreto 8.611, assinado pelo prefeito Jonas Paegle, já está publicado e permite que o município acione juridicamente quem o desrespeitar. A medida visa atacar o problema da falta de água por conta da estiagem.
De acordo com o documento, estão proibidos a lavação de calçadas, pisos, muros, veículos com utilização de mangueiras, lava jatos de uso doméstico, troca do líquido em piscinas e lavagem de fachadas. A proibição vale por tempo indeterminado, enquanto houver risco de desabastecimento.
De acordo com o diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Samae), Dejair Machado, durante entrevista ao programa Rádio Revista Cidade, da Rádio Cidade nesta terça-feira, o abastecimento na cidade pode entrar em colapso em dois ou três meses se não houver os cuidados necessários.
O nível do Rio Itajaí Mirim, por exemplo, está muito baixo: atualmente a medição aponta 2,40m, sendo que o ideal seria 3,40. Com 1,50, compromete o abastecimento, pois passa a sugar areia e não mais água.
“Vamos fazer o possível para economizar, quem ainda tem água, mora em locais mais baixo. Vamos economizar, usar a água com racionalidade para não termos que tomar uma posição drástica, que seja o racionamento”, pontuou Machado.
Estudos feitos pelo Samae mostram que a situação da estiagem deve se prolongar até, no mínimo, final de junho. Não haverá, até lá, mudança significativa em termos de chuva.
Devido à situação de estiagem, na semana passada foi criado um comitê de pessoas para tratar das questões relacionadas ao abastecimento de água no município. É esse grupo que está monitorando a situação.
“Se continuar nesse ritmo, se o rio for perdendo a vazão, vai ficar difícil. Estou aqui desde a década de 80 e nunca vi isso”, disse Dejair Machado sobre a baixa no leito do rio na área central.
Ele lembra que muitas tinturarias usam a água do rio, além de estabelecimentos como agropecuárias. Tudo isso, aliado ao consumo desordenado da população, ajuda a crise a aumentar.
“Existe um consumo grande e o abastecimento, consequentemente, vai entra em colapso”, frisa, destacando que o decreto publicado nesta terça-feira é o primeiro passo para conter o gasto desnecessário. O seguinte seria um decreto de emergência e, em último caso, um decreto de racionamento.
Problemas nos bairros distantes
Atualmente, a estação central de captação de água abastece a 85% da cidade. O problema maior está nas isoladas, que buscam água das nascentes. Entre estas estão as dos bairros Santa Luzia, Zantão e Dom Joaquim.
Nos bairros Limeira e Volta Grande, ainda se mantém estável a condição de abastecimento por conta da captação. Nas demais, todas perderam parte de sua capacidade.
“Não temos como levar água da estação central para lá (os bairros). Até porque, se levarmos, vai faltar aqui”, destaca ele.
Ontem, segunda-feira, foi lançado edital da nova estação da Cristalina. A abertura será em 16 de julho. Esta etapa tratará dos serviços de terraplanagem, contenção, galeria se acesso.
“É uma estação que vai triplicar a captação que temos hoje. Mas isso é uma obra que vai levar uns dois anos”, destaca Machado, afirmando que, por conta da seca, a estação não vai poder captar o que tem de capacidade inicialmente.



