Pedido de moção gera discussões

Os momentos finais da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Brusque, ocorrida nesta terça-feira (8), foram destinados, por quase meia hora, a um embate envolvendo situação, oposição e o bloco independente, acerca de um pedido de moção de congratulações destinada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Por conta da discussão a sessão teve de ser prolongada, após pedido de ordem feito por um vereador.
O pedido do envio coube ao vereador Alessandro Simas (PR). De acordo com ele, todo o trabalho e comprometimento com a justiça e com a sociedade brasileira durante o desenrolar do processo do mensalão, é digno de reconhecimento e apoio por parte dos legisladores brusquenses. Apesar de pouco ou quase nada influenciar na política brusquense tal aprovação de envio de moção, o pedido do vereador do bloco independente causou furor no plenário.
Após Simas explicar o motivo do pedido começaram os pronunciamentos por parte dos vereadores. O primeiro foi Jean Pirolla (PP). Num discurso inflamado ele corroborou com a solicitação de Alessandro, afirmando que é preciso lembrar todos os nomes dos envolvidos no mensalão, para nunca deixá-los voltarem a cena política. Eu acredito na justiça. Podem falar o que quiser, mas ainda acredito na justiça. É de pessoas assim que precisamos para conseguir mudar um pouco a cara da Justiça brasileira, afirmou Pirolla, se referindo ao chefe do STF.
Por fim, Pirolla lembrou que o Poder Judiciário tem de ter autonomia e não compromissos partidários, como o que, segundo ele, vem acontecendo no supremo. O STF está munido de pessoas indicadas pelo executivo. Daí ocorreu o que nós vemos: trocaram dois ministros, mudaram a votação para absolver a formação de quadrilha, finalizou o progressista.
Ivan Martins (PSD) foi na mesma linha. Disse que antes de todas as reformas necessárias no país, seria preciso começar com uma renovação no Poder Judiciário. Classificou, ainda, Barbosa como a maior reserva moral dentro do Judiciário.
Após Martins, foi a vez da situação se pronunciar. Quem falou foi Valmir Ludwig (PT). Já no início o petista contrariou Ivan. De fato estamos mal. Joaquim Barbosa ser a reserva moral do Brasil. Nós estamos mal. Chamando o ministro de desequilibrado o vereador relatou que é preciso ter o mesmo tratamento com os outros esquemas de corrupção, como o tremsalão tucano. O Aécio Neves (PSDB) é protegido, a Globo é protegida, ou não é? Ele engavetou um monte de coisas que ela fez. Porque trata um de um jeito e outro de outro jeito?, relatou o legislador. Apesar das críticas, Ludwig concordou com Ivan ao afirmar que também é partidário de uma reforma no Judiciário.
Ao final, a moção foi aprovada por oito votos oposicionistas e independentes, contra cinco da situação.
LDO


