O presidente da República, Jair Bolsonaro, se manifestou esta tarde sobre a saída do ex-ministro Sergio Moro e de seu ex-diretor geral da Polícia Federal, Mauricio Valeixo. Ele concentrou a fala em dizer que a medida de exonerar o ex-diretor esteve ligada a negativa de pedidos seus para que investigasse a facada que sofreu na eleição de 2018 e as suspeitas de que sua família teria envolvimento com a morte da ex-vereadora carioca Mariele Franco.
Bolsonaro procurou desqualificar as colocações de Moro ao longo dos minutos em que se pronunciou. Estava acompanhado de vários ministros, como Onix Lorenzoni, Nelson Teich, Damares Alves, o vice-presidente Hamilton Mourão, entre outros.
Começou o discurso dizendo que fez reunião com deputados pela manhã e disse aos mesmos que hoje, sexta-feira (4), eles saberiam quem era o homem que pensava somente em si e não no país. Referia-se a Moro.
Negou que tivesse investido para trocar o comando da PF para atender interesses que não fossem investigar os casos mencionados. Em especial o caso da ex-vereadora.
Disse que não tem que pedir autorização a ninguém para trocar um diretor ou qualquer outro que esteja na pirâmide hierárquica do Executivo.
“Estou lutando contra o sistema. Me desculpe a modéstia, em grade parte pela minha coragem e indicar um time de ministros comprometidos com o futuro do Brasil. (...) O meu caos está mais fácil de desvendar que o de Mariele”, disse.
Falou que conversou com Moro ontem e que sempre abriu o coração a ele, mas duvida se o ex-ministro tenha feito a mesma coisa. Acusou o ex-ministro de ter enfraquecido o setor de inteligência da PF.
“Nunca pedi a ele o andamento de qualquer processo. Até porque a inteligência com ele perdeu espaço na justiça. Quase que implorando informações. Sempre cobrei informações dos demais órgãos de inteligência oficial, como a ABIN”, disse.
O presidente disse, ainda, que Moro estava ciente de que Valeixo seria exonerado hoje. A conversa entre ambos sobre o assunto travou na questão do nome a substituir o ex diretor geral. Bolsonaro disse que a prerrogativa de nomear é dele e que o dia em que tiver que submeter à apreciação de alguém uma nomeação deixa de ser presidente.
Disse que sua luta contra a corrupção fez com que ganhasse muitos inimigos. Criticou a extrema esquerda, dizendo que querem roubar a liberdade do país.
Falou, ainda, que ele tem um Brasil a zelar, contrapondo colocação de Moro de quem tem uma biografia a zelar.
Lembrou de sua trajetória no Exército e disse que torceu muito para dar certo, mas lamentou o ocorrido com Moro.
Ao final, leu um documento em que reforçava tudo o que dissera instantes antes e se disse decepcionado e surpreso com o comportamento de Moro.
Disse que não pode aceitar que sua autoridade seja confrontada por qualquer ministro e que não pode aceitar as atitudes de alguém que quer antecipar pretensões futuras em causa própria.
"Desculpe senhor ministro, o senhor não vai me chamar de mentiroso. Não existe acusação mais grave para um homem como eu, cristão", frisou.




