Clube precisa de R$ 500 mil para disputar Série D
Mauricy Pereira de Souza, presidente do Brusque Futebol Clube, concedeu entrevista ao programa Rádio Revista Cidade desta quinta-feira (12), para dar explicações sobre todo o trabalho à frente do clube, que iniciou em 15 de dezembro de 2011, amargando um rebaixamento da equipe no Campeonato Catarinense.
Durante a conversa, Mauricy esclareceu temas como uma possível renúncia da presidência, as grandes dívidas que têm de ser pagas, erros e situações, como o relacionamento com empresários e com o treinador Joceli dos Santos.
Renúncia da presidência - "Jamais (me) passou na cabeça a renúncia desde o momento que comentei na assembleia que não deixaria o Brusque sem presidente. Não tinha real conhecimento da situação no dia da eleição. Nós entramos a convite do Danilo Rezini (ex-presidente) , já que nós no conhecemos há tempo e ele vem me convidando há 4 anos. Admito que não conheço de futebol, mas o meu conhecimento é administrativo. Na minha visão, não é necessário o presidente conhecer de futebol".
Rebaixamento - "O clube já estava rebaixado quando eu assumi. Afinal, a equipe entraria em licenciamento sem eleições. Eu não iria me aventurar a montar um time com o dinheiro que eu não tinha. Já ia aumentar o tamanho do buraco financeiro do clube".
Dívidas - "Temos em torno de 700 mil reais em dívidas. Claro que o clube tem condições de saldá-las. Porém, essas dívidas, trabalhistas, já transitaram em julgado. Não cabe mais recursos. É complicado saber quando elas seriam julgadas... acredito que o Danilo (Rezini) não sabia das dívidas que viriam, mas acredito que ele tinha noção que seria um ano complicado para o Brusque".
Erros - "Eu tenho a minha forma individual de enxergar. Sendo o líder máximo, eu tenho direito de questionar. Por que nós tomamos gols de tal forma? Por que os jogadores voltam em determinada posição de ataque? Mesmo não entendendo de futebol, talvez eu deveria ter cobrado mais dentro de campo. Entendendo ou não, eu vou querer projeções dos jogos".
Recursos comprometidos - "Hoje, o caixa (do clube) é negativo. O que sobrou da verba da prefeitura, temos que usar no CT. Porém, é um dinheiro que não podemos investir no futebol profissional.
Série D - "Conseguimos estender o prazo de desistência para segunda-feira. O Casão (Maurino Casagrande) foi para Ibirama para negociar atletas. Estamos tentando conseguir jogadores quase que gratuitamente, o que é difícil acontecer. Queremos tentar cortar esse custo. Se é a melhor forma, não consigo avaliar ainda, até porque comentam muito que não se deve buscar atletas aqui. A Série D é outro nível de atletas, comparando por exemplo com o Mogi Mirim. Em dinheiro, o ideal para manter a equipe na Série D, precisamos no mínimo de R$ 500 mil".
Banco - "A gente começou a conversar com dois bancos ainda em 2011. Tivemos uma negociação em que um deles chegou a escolher o espaço na camisa e depois sumiu. O BMG já tem contrato assinado com a prefeitura, o que é o principal para assinar com a gente. Para o Catarinense ficou complicado, deixaram para trás. Mas, para a Série D, eles pediram para procurá-los (BMG) que iriam entrar com patrocínio".
Empresários - "Alguns empresários já falaram para mim que não investem mais no Brusque porque, segundo eles, de cada R$ 100 mil investidos, se abria um buraco de R$ 200 mil. O empresário vai investir no Brusque e não tem informação do clube, da cidade. Isso é muito importante".
Relação com Luciano Hang - "O Luciano (Hang - Havan) sempre foi cliente do Centro Educacional Cultura. Sempre citei ele nas minhas aulas na faculdade. Ele é um cara muito centrado, não bota o pé onde a coisa não vai andar da forma que ele acha melhor. Quando ele fala na questão do prestígio, concordo com ele. Até porque, meu trabalho sempre foi muito discreto. Fui presidente do DCE da Unifebe, fundamos o campus, mas é um ponto que ele tem razão".
Joceli dos Santos - "Nós não fizemos planejamento nenhum. Gosto do estilo do Joceli. E, a maioria dos jogadores que ele pediu era de muito caros. Daí fomos em busca no mercado, da nossa realidade. Quando tivermos o orçamento completo, ele pode definir a equipe. Porém, não sei se ele quer ficar. Nesse momento, eu não tenho nada definido com relação a participar ou não da Série D. Os clubes têm ligado e oferecido ajuda, mas o momento é de captar recursos. O Joceli já manifestou a vontade de ir embora, talvez num momento de frustração. Às vezes ele fala coisas que mais atrapalham do que ajudam, mas dentro de campo ele conhece".



