O governo de São Paulo anunciou o que chamou de “sistema de monitoramento inteligente” dos cidadãos (Simi-SP) para evitar aglomerações utilizando tecnologias digitais como os smartphones.
Ele funcionará a partir de uma parceria com as operadoras Vivo, Claro, Oi e TIM, que repassarão dados de aglomerações a partir de 30 mil pessoas.
“Com 100% dos usuários de telefonia celular em São Paulo, nós podemos identificar os locais onde as pessoas estarão e onde houver concentração para analisar o percentual de isolamento e também ações de orientação e advertência, se necessário”, disse o governador João Dória no lançamento do sistema, no último dia 9.
Projetos semelhantes foram lançados em outros estados. O governo do Pará informou que, através de parceria com uma empresa, irá acompanhar o nível de aglomerações. A estimativa é que o isolamento esteja em 40%, considerado baixo para combater a expansão do novo coronavírus.
O programa permitirá que as autoridades estaduais possam verificar em tempo real e no recorte territorial, mapeando a dinâmica de movimentação por bairro. Essas informações servem de base para as ações de combate.
A prefeitura do Recife também anunciou, como parte do seu plano de contingenciamento da covid-19, um sistema semelhante de rastreamento dos fluxos de pessoas baseado em geolocalização na cidade de modo a identificar o cumprimento das medidas de isolamento determinadas para o município.
O governo federal também utilizará o mesmo recurso. Uma parceria deve ser firmada com as operadoras nacionais de telecomunicações (Claro, Vivo, Oi, Tim e Algar) que fornecerão dados agregados sobre a circulação de pessoas.
Estes serão coletados a partir da conexão dos smartphones às antenas, chamadas tecnicamente de estações rádio base (ERB).
Plataformas
O monitoramento dos usuários de internet está sendo realizado também por grandes plataformas digitais. O Google, responsável pelos dois principais aplicativos de mapeamento (Maps e Waze) e pelo sistema operacional Android, lançou os “Relatórios de Mobilidade Comunitária”, no qual disponibiliza informações das aglomerações por localidade.
O do Brasil, datado de 29 de março, mostra a redução de aglomerações de 71% em comércios como restaurantes, shoppings e cinemas; 35% de farmácias e padarias; 70% em parques; 34% em locais de trabalho.
O relatório também faz o recorte por estado. O Google afirma que os dados são agregados e anonimizados de usuários que acionam o histórico de localização em seus dispositivos.
O Facebook lançou uma plataforma chamada “Dados para o Bem”, com ferramentas para utilização de dados tanto coletados pela empresa como de outras fontes públicas, como imagens de satélite.
Entre os produtos, figuram mapas de densidade populacional e ferramentas para organizações da sociedade civil. Os dados são disponibilizados para instituições internacionais, como as Nações Unidas, pesquisadores e entidades sem fins lucrativos.
A companhia argumenta que preserva a privacidade ao utilizar dados agregados, que não identificam os indivíduos e formas de evitar a reidentificação das pessoas com técnicas de combinação de bases de informação.
FONTE: Agência Brasil



