Só de observar a coleção que Érico Hodecker (83) possui já é quase possível escutar as músicas antigas tocando na vitrola, tamanho o saudosismo que surge. Mas, também, não é por menos. A frota de quase 25 bicicletas das mais variadas marcas e épocas que ele orgulhosamente ostenta no piso superior de sua residência, localizada na Rua Ernesto Appel, Bairro Azambuja, faz o observador se apaixonar momentaneamente e relembrar os áureos tempos em que as magrelas dominavam as ruas das cidades.
Monark, Prosdócimo, Göreck, bicicletas datadas dos longínquos anos 20, até alguns exemplares da década de 70. Seu Hodecker tem guardado na cabeça, ou no seu computador de cabelo como prefere chamar, todos os dados de suas bikes. A paixão pelo hobbie de colecionar não é de tanto tempo assim.
Há cerca de dez anos, quando a aposentadoria começou a lhe render algum tempo ocioso, seu Hodecker começou a arrumar as magrelas velhas que apareciam por lá, já que, antes de taxista e trabalhador do ramo têxtil, possuía uma oficina de bicicletas. Comprei uma por brincadeira. Comprei uma toda podre e não aguentava vê-la enferrujando, daí reformei e ficou lá, como relíquia, né?, pontua o disposto velhinho. Dali pra frente, não parou mais. Apesar do auto dos seus 83 anos, disposição não lhe falta para subir e descer as escadas de sua morada para fazer as devidas reformas.
Ele conta que já chegou a ter quase 27 bicicletas, mas foi dando algumas de presente para amigos, filhos e, hoje em dia, tem aproximadamente 22. Tendo em vista o valor financeiro, a mais preciosa, para Érico, é uma Prosdócimo, de cor preta. O valor dela é quase o dobro das demais, perto dos R$ 2.400. Porém, para ele, a de maior valor sentimental é uma da marca Centrum, datada de 1926. Tá toda originalzinha. Aquela é minha preferida, uma preciosidade, pontua.
Pintura, latoaria, decalques e, até mesmo, placas. Tal qual a reforma de um carro, o processo de restauração das bicicletas de seu Érico passa pelo conserto de todas essas peças. Se preciso for, ele manda fazê-las de novo.
Apesar de todo o amor nutrido pelas bikes, seu Érico falou que pode até negociar algumas. De acordo com ele, um aficionado por bicicletas antigas está para vir para Brusque a fim de levar todas. Bem humorado, ele completa: Se ele quiser levar todas faço por R$ 1.000 cada uma, diz. Nesse momento da entrevista, foi perguntado: Mas não dará um aperto no peito?. A resposta foi imediata: Mas, com certeza! Não sei, não, se não vou dar para trás na hora da negociação, fala entre risos o simpático velhinho.
Seu Érico Hodecker ainda trabalha como restaurador, junto com o filho. Ele avisa que é caro o serviço de reformar as bicicletas, mas que no final fica muito bonito. Todos os belíssimos exemplares estarão expostos no próximo final de semana, no Mercado de Pulgas, que ocorrerá no Pavilhão da Fenarreco.
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