A Polícia Civil de Brusque cumpriu, no início da noite desta sexta-feira (1º), a prisão preventiva de Everton Cunha (22), condutor do veículo que matou duas pessoas em um acidente ocorrido na Rodovia Gentil Batisti Archer, no último dia 12 de março. Ele foi encaminhado à Unidade Prisional Avançada (UPA).
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Segundo o delegado Alex Bonfim Reis, responsável pela investigação, após o acidente, a polícia trabalhou para demonstrar a veracidade dos fatos, fosse ela a favor ou contra o motorista. “Ele compareceu na unidade policial para apresentar a sua versão. Naquele momento, o Everton disse que não havia ingerido bebida alcóolica, não excedeu o limite de velocidade da pista e que, supostamente, o acidente teria ocorrido em decorrência a uma falha mecânica”, conta Reis.
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A versão é assegurada pela defesa de Cunha, conforme afirma o advogado Ivan Roberto Martins Júnior. “Ele afirma, desde o início, e é categórico que não ingeriu bebida alcoólica em momento algum. O fato dele ter se evadido do local, ele deixa claro a todo o momento que, lá no local, ele se evadiu porque estava com medo pela integridade física”, alega. Ainda conforme ele, o condutor acredita que tenha ocorrido uma falha mecânica no veículo. “Ele não sabe exatamente o que foi, mas ele perdeu o controle do veículo”, conta.
No entanto, essa versão foi questionada pelo delegado. “Ao longo das investigações, o que se demonstrou: colheram-se provas suficientes de que na verdade ele tinha ingerido bebidas alcoólicas, de que não houve falha mecânica, principalmente a apontada por ele, que seria um pneu estourado e que ele havia excedido, sim, o limite de velocidade”, destaca o delegado. “Com base em provas testemunhais e laudos periciais, a versão que ele apresentou naquele momento foi desmontada”, completa Reis.
A prisão foi determinada, segundo o delegado, após indícios de que havia configurado um crime e não mais uma fatalidade. “Somando o clamor popular, a manutenção à ordem pública, foi representada pela prisão preventiva dele. Na mesma consonância de ideias, o Ministério Público se manifestou, assim como o Poder Judiciário”, afirma.
Por outro lado, a defesa garante que irá entrar com um pedido de habeas corpus para a liberação de Everton Cunha. “Para que ele possa responder ao processo em liberdade”, assegura Martins Junior.
Na visão da autoridade policial, a prisão é uma forma de restabelecer a crença de justiça. “Uma pessoa não pode, de forma alcoolizada completamente imprudente e inconsequente, destruir uma família e permanecer tranquilamente no meio social. É uma ofensa a todos nós, assim entendeu a polícia, o Ministério Público e o Judiciário”, enfatiza.
TESTEMUNHAS
Um ponto destacado pelo delegado foi a participação das testemunhas. Ele conta que muitas pessoas afirmavam que iriam comparecer para testemunhar, porém, não era o que acontecia. “Ficamos aguardando e, na maioria das vezes, nós mesmos tivemos que ir buscar as testemunhas ou identifica-las. A participação e colaboração foram pouquíssimas. Infelizmente foi uma das situações que me deixou um pouco descrente na população, que é aquela situação: ‘a gente só quer a justiça com os nossos amigos, familiares e próximos. Se acontece com um desconhecido, meu interesse não é tamanho’”, desabafa.



