Como forma de protesto, um morador guabirubense levou um caminhão de brinquedo carregado de pedra brita ao plenário da Câmara de Vereadores de Guabiruba, durante a sessão ocorrida na noite de terça-feira (22). Alguns vereadores, por sua vez, não gostaram do ato e aproveitaram para criticar durante os pronunciamentos.
Ainda durante a leitura do expediente do dia, Hilário Schweigert – que estava entre os que acompanhavam a sessão – levantou-se do lugar e levou o caminhão em frente à mesa diretora. O protesto aconteceu em referência à denúncia feita pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) que colocava o vereador Haliton Kormann (PMDB) como um dos investigados na compra de votos, na eleição de 2012, com caminhão de brita.
Apesar de não querer se pronunciar por meio de entrevistas à imprensa, o vereador alfinetou o manifestante. “Acha que vai me assustar. O que eu posso te dizer? Isso é coisa de ‘criança pequena’”, pontuou. “Está sob investigação, eu vou fazer a minha defesa e estou tranquilo. A justiça vai fazer a parte dela”, acredita.
Ainda durante o pronunciamento de Kormann no plenário, ele menosprezou o trabalho realizado pelos veículos de comunicação. “Eu não tenho medo de ninguém. As redes sociais com cinquenta ‘curtidinhas’ em vários sites da imprensa e alguns comentários. Eu achei que iria repercutir mais, mas não deu quase nada”, afirmou durante o pronunciamento.
Por outro lado, o vereador Waldemiro Dalbosco (PP) relembrou momentos em que Guabiruba aparecia no cenário nacional com atividades inovadoras, como o próprio carrinho da fofura. No entanto, também afirmou que não entraria no mérito político para falar sobre o caso da investigação, mas que infelizmente a cidade estava vivenciando mais um caso envolvendo o mau uso do recurso público. “A questão é outra, houve uso indevido do dinheiro público, e isso deve ser combatido e não deve ser aceito por nenhuma administração”.
Ainda com os ânimos exaltados, o vereador – também da oposição – Jaime Luiz Nuss (PMDB) foi ainda mais enfático ao criticar o protestante. “Esse cidadão, que pra mim é um lixo trazer uma situação dessas [...] uma pessoa dessas, pra mim, é um lixo. Se ele olhar para o umbigo dele, acho que a situação fica um pouco diferente”, ironiza.
O CAMINHÃO
Segundo o morador Hilário Schweigert, o caminhão tem uma história longa, com início em 2008 – ano em que o então prefeito Orides Kormann (PMDB) se reelegeu. Após a vitória, o prefeito com os convidados fizeram uma festa nas proximidades de onde ele mora e, no fim, deixaram o mesmo caminhão de brinquedo em meio aos resquícios de lixo. “E eu só vim devolver o caminhão, que já era deles e que na época foi chacota ao adversário que perdeu. Eu não tenho vínculo e não sou filiado a nenhum partido. A indignação é que serviu para a mesma pessoa que deixou ele lá”, explica.




