A sala estava mais movimentada do que nunca. Ao meio dia, o Eagle Peak é o ponto de encontro entre a maioria das crianças da escola de esqui e snowboard para o almoço. Com diversas mesas espalhadas e um buffet montado ao centro, tudo que se ouve é o falatório das crianças, super animadas e famintas. Sanduíche de queijo e limonada é o mais pedido entre as opções do cardápio. Acompanhadas dos seus instrutores, geralmente a classe de seis alunos caminha na busca de um espaço.
O carioca Marcelo Carraro Deccaché (21), estudante de engenharia civil no Brasil e instrutor de snowboard durante a temporada de inverno norte americana, era apenas um deles na busca de uma mesa para seus cinco alunos entre nove e 12 anos em uma das épocas mais movimentadas da temporada.
Marcelo já pratica snowboard há oito anos, mas essa é a primeira vez ensinando. Já fez snowboard na Argentina, Chile, Canada e Estados Unidos. Conseguiu o emprego através de uma agência de intercâmbio. Como já havia passado férias em Aspen com a família, e considera o lugar uma das melhores estações de esqui no qual que já passou, ele não perdeu a oportunidade e foi aprovado depois de duas entrevistas através do Skype.
Considera a experiência valiosa. Até então todas as expectativas, que não eram baixas, foram superadas. A experiencia até então tem sido absurda, destaca. Até mesmo financeiramente. O pagamento é necessário para se sustentar em uma cidade cara, fazer compras e se divertir na noite de Aspen, explica entre risadas.
Ir para a montanha com elas é uma imensa responsabilidade. Qualquer imprevisto pode acontecer e Marcelo garante que acontecem o tempo inteiro. Afinal, eles podem se machucar ou até mesmo se separar da turma, o que causa um susto no professor, apesar de ter toda uma equipe a disposição para esse tipo de imprevisto. A responsabilidade é grande, mas nós (instrutores) sabemos quais pistas são ideias para cada nível. Marcelo teve apenas uma criança machucada até então. Ser instrutor pode até parecer prazeroso, mas não é uma das tarefas mais fáceis.
Hoje, Marcelo apenas dá risadas de um dos momentos mais estressantes que já teve. Após inúmeras reclamações sobre o cardápio do dia - não gosto de nada, a comida da fria, sua comida é melhor que a nossa -, ele deixou os cinco pequenos em uma das mesas da Eagle Peak, quatro meninas e um menino para buscar mais bebidas. Quando voltou não encontrou o sanduíche.
- Que escondeu?, perguntou Marcelo descontente com a situação.
Marcelo encontrou o sanduíche embaixo do casaco e após muitas risadas uma das meninas fala:
- Ela peidou no seu sanduíche!
Pahmela Hinhel/Especial Rádio Cidade



