Plenário lotado, policiais militares no lado de fora e outros infiltrados entre o público na plateia. Foi com esse cenário que começou a sessão desta terça-feira (15) da Câmara de Vereadores de Brusque, em meio a um clima de tensão velada. Algo que desandou, instantes depois, para um cenário de bate-boca, vaias e troca de acusações.
Um dos motivos da presença do público em peso na sessão foram colocações feitas nos últimos dias pelo vereador Valmir Ludvig (PT), em relação ao manifesto ocorrido no domingo (13) em todo o país. Embora muitos dos presentes eram ligados a partidos políticos adversários ao vereador petista, cumpriam o anunciado nas mídias sociais de ir ao Legislativo protestar contra as declarações do petista.
Na semana passada, em resposta aos chamados para a passeata de domingo contra a corrupção e o governo federal, Ludvig escreveu em sua página no Facebook: “Se gritar pega ladrão acaba a manifestação”. A reação foi imediata e a repercussão levou o vereador, inclusive, a se desculpar posteriormente pela postagem.
Na sessão desta terça-feira, quando Valmir foi anunciado para utilizar a tribuna na palavra livre, de imediato a reação do público ocorreu. Vaias, gritos e xingamentos ecoaram pelo espaço. Ludvig teve dificuldades para iniciar o discurso. O presidente da Casa, Jean Pirola (PP), precisou intervir e ameaçar retirar da plateia um homem que gritava contra o manifesto dos demais.
Após isso, o público cantou o hino nacional e levantou cartazes contra o vereador Ludvig e o Partido dos Trabalhadores (PT). Em resposta, sem a mesma firmeza nas colocações que é característica de seus discursos na tribuna, Ludvig se mostrou cauteloso nas palavras.
Na tribuna, Ludvig leu um discurso em que citou termos utilizados contra ele nas redes sociais, que iam desde palavras de baixo calão a ameaças de agressão. Disse que passou por momentos na vida em que teve de evitar agressões até de familiares. “Podem me criticar pelo que fiz, mas peço que não duvidem da seriedade do que estou colocando”, frisou ele.
Em seguida, falou sobre as postagens no Facebook e disse que a colocação em relação ao manifesto foi por conta de muitos que criticavam o PT, mas não tinham moral para isso. Voltou novamente a se desculpar pelo que disse e, em sua visão, foi mal interpretado.
“Quero defender a ideologia de esquerda sem ser machucado pelas pessoas. A população brusquense jamais quero machucar e ofender. Tenho amigos em várias ideologias”, pontuou no discurso.
O vereador Ivan Martins (PSD) foi categórico na tribuna com as críticas a Valmir Ludvig (PT), por conta de manifestações feitas por ele na internet em uma mídia social. “Se o corregedor acatar esse pedido de cassação, eu voto favorável”, frisou ele.
A menção era quanto aos inúmeros pedidos de cassação do mandato e abertura de processo contra o petista protocolados na Câmara esta semana.
Sobre a situação, Ludvig disse que a está tranquilo e que já fez sua defesa sobre o caso. “Sobre cassação, meus colegas estão aí. As pessoas pedi desculpas porque escapou e não quis generalizar. Para mim está encerrado, disse ele.
Na tribuna, o vereador Guilherme Marchewsky (PMDB) disse que não perdoa Ludvig, pois seu filho estava na passeata e não se enquadra nas palavras postadas pelo petista.



