Se a intenção era ter as presenças de representantes do governo do estado, mais precisamente da Secretaria da Segurança Pública, para debater saídas para a falta de efetivo policial na cidade de Brusque, então a audiência pública realizada na noite desta quinta-feira (10) no plenário da Câmara de Vereadores passou longe do objetivo. Nenhum dos convidados ou qualquer representante do governo estadual, inclusive da ADR Brusque, atendeu ao pedido e compareceu ao evento.
Mas nem por isso o resultado do evento deixou de ser positivo. A troca de informações e desabafos de autoridades e dos próprios policiais que atuam no dia a dia, como na Policia Civil, embasaram um documento, que será endossado pro um grupo de entidades representantes da sociedade civil local, bem como do poder público. O destino serão as mesas do governador Raimundo Colombo e do secretário de estado da Segurança Pública, Cesar Gruba.
“Vimos todas as lideranças da segurança pública da cidade. Estamos preocupados e engajados na tentativa de buscar a solução dessas demandas que foram elencadas”, destacou o vereador Jean Pirola (PP), autor do requerimento que deu origem à audiência.
O tenente-coronel Moacir Gomes Ribeiro, comandante da PM de Brusque, apresentou números sobre a atuação do batalhão no ano passado. Para ele, a audiência serviu para mostrar à comunidade as dificuldades que os policiais enfrentam no dia a dia para dar conta da demanda.
“Colocamos para a comunidade que eles tem que registrar na delegacia, mas também na Policia Militar qualquer ato delituoso. Para que possamos produzir com esses números policiamento mais eficaz com o pouco de policiais que temos”, frisou ele.
O discurso mais contundente foi feito pelo delegado Ricardo Marcelo Cassaroli, responsável pela Delegacia de Proteção à Criança, à Mulher e ao Idoso (Dpcami). O policial destacou números de efetivos do estado e o quanto Brusque está distante em termos de números para atender a comunidade.
“Se a média estadual gira em torno de dois mil habitantes por policial civil e anos à media municipal aqui gira em torno de quatro mil, seria no mínimo justo que essa divisão fosse refeita e tivéssemos uma implementação de efetivo. Sem novas contratações, pois ai a conversa seria outra”, disse ele.
O juiz Edemar Leopoldo Schlosser, que responde pela vara criminal do Judiciário brusquense, afirmou que a dificuldade de efetivo tem sido um problema diante agilidade que a população cobra para o andamento das ações. Ele foi elogiado pelos policiais pela rapidez com que libera pedidos de prisões e documentos que permitem a ação legal da polícia. Porém, trabalho que acaba, muitas vezes, sendo prejudicado por não haver agentes suficiente para cumprir os mandados.
Participaram ainda da audiência pública diversas lideranças dos setores empresarial, político, sindicalista, OAB e de associações de moradores.



