Médica cubana ganhava R$ 1.000 por mês

Ramona Rodriguez deixou o Programa Mais Médicos no Pará e está abrigada na Câmara dos Deputados, em Brasilia. Ela pediu asilo político ao governo brasileiro. A médica cubana não quer mais integrar as equipes do Programa Mais Médicos e aguarda a resposta do governo brasileiro ao seu pedido de asilo político.
Ramona Rodríguez afirmou que pediu ajuda para obter asilo político e trabalhar no Brasil como médica. Ela voltou a dizer que foi "enganada" pelo governo cubano, que percebeu isso pela diferença salarial entre o que recebe e outros médicos estrangeiros e reclamou de estar sendo vigiada por agentes cubanos.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto d´Avila, disse que desde o ano passado denuncia a desigualdade no tratamento dos médicos cubanos em comparação aos médicos de outros países. De acordo com ele, Ramona e outros profissionais cubanos também se encontram na mesma condição, ou seja, de trabalho semi-escravo.
Diante desta situação, o CFM vai encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o caso da médica cubana. A médica reclama do salário que recebe, cerca de R$ 1.000, bem abaixo dos R$ 10 mil pagos pelo programa aos médicos brasileiros. Já há no STF uma ação questionando o programa Mais Médicos. O contrato assinado pela cubana prevê um pagamento de US$ 400 (pouco mais de R$ 900). Outra parcela de US$ 600 seria depositada em uma conta em Cuba.
Os médicos cubanos atuam no Brasil em regime diferente dos que se inscreveram individualmente no Mais Médicos. O Ministério da Saúde brasileiro firmou acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para que a entidade internacional busque parcerias para a vinda de médicos ao país. No acordo, os repasses financeiros são feitos do Ministério da Saúde para a Opas, da Opas para o governo cubano, que paga os médicos.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que a médica cubana que está abrigada no gabinete da liderança do DEM na Câmara dos Deputados poderá perder o visto de permanência no país e a licença para atuar como médica no Brasil caso insista em abandonar o programa Mais Médicos.


