Argumentos desencontrados para justificar empenhos
Usando argumentos equivocados, a secretária de Desenvolvimento Regional (SDR Brusque), Sandra Eccel, deu entrevista na manhã desta quinta-feira (15) a uma emissora de rádio local, para falar sobre a repercussão das matérias que se referem à contratação da empresa Alfa Terraplenagem para a retirada de barreiras que causaram danos a propriedades em consequência da catástrofe de 2008, da enxurrada de março/2010 e da enchente de setembro passado.
O assunto tem sido levado ao conhecimento público em reportagens veiculadas pelo site da Rádio Cidade desde sexta-feira (9).
Em primeiro lugar, não são denúncias. Em nenhum momento as reportagens colocaram em dúvida a lisura dos envolvidos. Apenas são reportadas as entidades envolvidas, o objetivo dos contratos, os agentes executores, o dinheiro envolvido e os prazos de execução e pagamentos pela empreitada.
A secretária destacou que a empresa (Alfa) recebeu - até a manhã desta quinta-feira (15) - R$ 867 mil e que isso não caracterizaria o dono, Cristiano Cunha - casado com uma prima de Jones Bósio -, como sendo um "abonado".
Sandra se equivocou ao contar um fato envolvendo o diretor da Defesa Civil de Brusque, sargento PM Evandro de Melo de Amaral, e o diretor geral da SDR, Jones Bósio. Ela disse que Evandro ligou durante a quarta-feira para Bósio desmentindo trecho da matéria "Defesa Civil não sabia da retirada de barreiras", publicada na manhã do mesmo dia pelo site da Rádio Cidade.
Na manhã de quinta-feira (15), Evandro desmentiu Sandra ao afirmar por telefone que a ligação existiu, mas que foi feita por Bósio. Primeiro, com a intenção de cobrar pelo atraso no pagamento de mais uma parcela do empenho de R$ 1 milhão em favor da Alfa (faltam R$ 123.002,43 para quitar o primeiro de três empenhos).
Depois da cobrança sim, Bósio comentou sobre o conhecimento de Evandro sobre a retirada de barreiras em Brusque. O militar reafirmou que não tinha informação oficial sobre a contratação da Alfa para a retirada de 196.160 metros cúbicos de barro em Brusque.
Em outro ponto, Sandra Eccel disse que a matéria da Rádio Cidade sobre a casa do proprietário da Alfa (Aqui "fica" a empresa que recebeu R$ 876,9 mil do Estado) é "sensacionalista".Segundo uma definição universalizada, sensacionalismo, "além de caracterizado pelo apelo emotivo e pelo uso de imagens chocantes na cobertura de um fato, também se caracteriza pela capacidade de induzir o telespectador a prender-se a fatos em sua maioria distorcidos, trazendo para si uma realidade irreal e alterada do cotidiano do dia-a-dia". A reportagem em questão não traz esse cunho.
A definição dada por Sandra à razão social da mesma empresa (ter no nome a identificação "Terraplenagem e Locação de Máquinas") é normal à empresas que alugam máquinas de terceiros. Locação é o contrato pelo qual o locador (quem cobrar pelo aluguel) obriga-se a ceder o uso e o gozo da coisa locada ao locatário (quem pagar pelo aluguel). Não é o caso da Alfa.



