Proprietários dos populares cachorrões instalados nas ruas de Brusque afirmam que também desejam se regularizar, mas não concordam com decisão que os tire das vias centrais do município. Como a Avenida Cônsul Carlos Renaux. Isso faria com que perdessem clientela e faturamento.
Foi o que disseram em entrevista à Rádio Cidade esta semana dois deles, Marcos Antonio Melzi, o Marquinhos, e Francisco dos Santos, o Chicão. Ambos possuem estruturas e trabalham na avenida principal da cidade. Marcos está no local há 22 anos e Francisco há pouco mais de 15.
“Por quê tirar os cachorrões do Centro? Tirou os cachorrões não tem nada. As pessoas vão olhar as vitrines e comem cachorro quente. E algumas dizem: não vamos comer cachorro quente na praça. Capaz de irmos comer e sermos assaltados, pois lá todo mundo sabe que é ponto de venda de droga”, diz Marcos ter ouvido de clientes.
O caso se refere a uma proposta que teria sido feita pela Prefeitura de que os cachorrões fossem transferidos para o espaço onde fica a Praça da Cidadania, em frente ao terminal urbano Balthazar Bohn.
“Se colocar na raça não vou vender nem um terço do que vendo. Ninguém vai lá. Se vendo cem pães por dia hoje, vou vender 20. A Prefeitura vau pagar minhas contas?”, questiona Melzi.
Lixo e sujeira
Os dois rebatem as acusações de que ocupam espaços na calçadas, impedindo a passagem livre de pedestres, bem como de que deixam os locais em que atuam cheios de lixo e entulhos. A presença deles, inclusive, inibe ações de criminosos e vândalos, alegam.
“Lá no meu local de trabalho as cadeiras ficam encostadas na parede da loja, fica totalmente livre o passeio. Dizem que incomodamos. Trabalhamos até madrugada e não deixamos aqueles baderneiros derrubando lixo e tudo. Cuidamos. Vê se tem ocorrência policial ali”, afirma Francisco.
Energia elétrica
Outra situação contraposta por eles é a de que utilizam de energia elétrica clandestina para atuar. O questionamento foi feito, inclusive, pelo presidente da CDL, Fabricio Zen, durante entrevista à Rádio Cidade na última semana.
“Tenho relógio, paguei para Celesc, que foi lá e instalou tudo”, afirma Melzi, apresentando um talão de energia elétrica com endereço de instalação do relógio exatamente no ponto em que trabalha. Francisco também afirma ter o medidor.
Segundo eles, há mais de 50 proprietários e estabelecimentos food trucks na cidade de Brusque, divididos entre os que comercializam os cachorrões, até espetinhos, caldo de cana e outros alimentos. Os que não possuem energia elétrica em seu nome utilizam de moradores nas proximidades onde possuem as estruturas, afirmam.
Abaixo assinado junto à população
Ainda segundo os proprietários dos cachorrões, a Prefeitura teve reunião com o grupo e afirmou não ter interesse em proibir que trabalhem, mas quer regularizar a situação. Além do local, também o horário de funcionamento está em discussão.
“Teve muito tempo que coloquei antes das seis da tarde, mas acho justo botar depois das seis, pois a CDL tem as lojas abertas. Concordo em colocar depois das seis e na época de Natal após as nove da noite”, prossegue Melzi.
Os dois prometem fazer uma consulta junto à população da cidade para saber o que ela pensa sobre a permanência dos food trucks nas ruas. Principalmente em relação aos que atuam na área central do município.
Foto: Valdomiro da Motta/Rádio Cidade



