Quando assumiu a direção do hospital de Azambuja em 2013, momento em que a unidade anunciava o fechamento das portas para atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS), o administrador Fabiano Amorim recebia a missão de conseguir manter os serviços básicos à população com a intervenção feita pela Prefeitura.
Quase três anos depois, o hospital vive uma situação diferente, passando de devedor a investidor: segundo a direção, cerca de R$ 5 milhões na ampliação da estrutura, com 24 novos leitos particulares, e aquisição de aparelho moderno de ressonância magnética.
“Sabemos que na área de saúde no Brasil está complicado. Todo mundo já sabia, mas não virava notícia. Mas agora, pelo número de óbitos, de não atendimentos, está virando notícia”, comenta ele.
A estratégia aplicada e que funcionou no Azambuja, tirando o mesmo do fundo do poço, chamou atenção de instituições que vivem casos parecidos. Amorim e sua equipe foram convidados a buscar a recuperação de hospitais em Santa Catarina e no Rio de Janeiro.
“Estamos sendo procurados, sim. Até pelo desempenho que tivemos aqui”, comenta ele.
O administrador não revela quais são os hospitais e em que cidade se situam, mas afirma que as conversas estão bem adiantadas. No Rio de Janeiro, a unidade fica no interior do estado. Além disso, a equipe fez intervenção em um hospital de Santa Catarina a pedido do Ministério Público, além de gerir, atualmente, o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Gaspar.
“Cada hospital é um hospital, pois ele está inserido em determinada região, que tem dificuldades diferentes das outras, necessidades diferentes. Não dá de pegar a receita do que aconteceu no Azambuja, ou em Gaspar, e levar para os outros hospitais”, frisa ele, referindo-se ao modelo de gestão aplicado e que cada caso requer um estudo sobre as medidas a serem tomadas.
A má gestão é um dos principais problemas que tem feito com que hospitais país à fora fechem as portas, assegura Amorim.
“Os hospitais, por muito tempo, não se profissionalizaram. Muitos deles pertencem a associações, prefeituras, entidades religiosas. A evolução administrativa não foi trazida para dentro das unidades hospitalares. Somos um negócio. Hospital é um negócio e tem que ser tratado como negócio, não como uma casa de atendimento somente, de cuidados. Para sobreviver, ter rentabilidade e sobreviver precisamos tratar ele como um negócio ”, pontua Amorim.
Relembre o caso
Em 3 junho de 2013, a direção do hospital de Azambuja anunciou que, no dia seguinte, passaria a não mais atender pacientes em regime de urgência e emergência via SUS. A medida teria sido tomada por conta da dificuldade financeira que enfrentava o hospital, cujos repasses por parte do governo para cobrir o SUS eram insuficientes para manter os serviços. Além disso, a unidade acumulava um valor considerável de dívidas, que iam desde o fornecimento de energia elétrica a impostos em todas as esferas.
O decreto de calamidade pública assinado pelo então prefeito Paulo Eccel permitiu que a Prefeitura intervisse e assumisse o controle do hospital. Fabiano Amorim foi nomeado interventor e a direção do Azambuja afastada. A unidade foi devolvida ao controle da Igreja Católica, à qual pertence, um ano depois. Após alguns meses, Amorim foi convidado pela igreja para continuar à frente da gestão do hospital.
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