(VÍDEO) “A rua está um silêncio. Está tudo um silêncio"

A vida da costureira Alvaci Abreu e de sua família nunca mais será a mesma. Assim como o dia 17 de julho jamais será esquecido. Naquela data, a filha dela, a pequena Milena Ketlin Ristow, de apenas nove anos de idade, teve sua vida tragicamente interrompida ao ser atropelada por um veículo na Rua Davi Hort, no bairro Cedro Alto, em Brusque. O motorista foi preso.
No local da tragédia, ainda é possível se verificar a marca do pneu do veículo, um Fiat Uno, cravada na terra mais de uma semana após o ocorrido. A menina foi atingida quando caminhava ao lado da mãe, do irmão e da cunhada. Ketlin morreu na hora ao ser arremessada a mais de 20 metros de distância.
“A rua está um silêncio. Está tudo um silêncio. É ruim ficar lá em casa, com as coisas dela, perto dela, sem ter ela. Não está fácil”, disse Alvaci entre lágrimas.
Ela recebeu a equipe da Rádio Cidade para mostrar como tudo aconteceu. Segundo Alvaci, a família tinha ido até um mercado que fica nas proximidades. Eles voltavam para casa pelo acostamento, quando o veículo, que seguia em sentido contrário, apareceu em alta velocidade.
“Ele pegou nós de frente. Quando eu vi a luz do carro vindo, dei um passo mais para dentro. Encostei no bracinho dela para puxar para o lado não vi mais nada (...) Ele não parou em momento algum”, relata ela.
Alvaci conta que, segundos depois, olhou para o lado e viu o filho tentando reanimar a pequena Milena. Reconheceu que era ela caída pelos cabelos loiros.
A saudade, a dor da perda. São sentimentos que latejam a cada instante nestes dias. Milena era brincalhona, a alegria da casa e da rua em que a família residia. Está sendo difícil conviver com a ausência dela.
Enquanto os dias passam, Alvaci vai convivendo com a dor, a saudade, clamando por justiça.
“Ele sabe que matou minha filha. Não tenho raiva dele. Não sei se é porque ainda não caiu a ficha, de que ela não está mais comigo. Queria estar na frente dele, mostrar a foto da minha filha para ele lembrar o resto da vida, e sofrer o tanto quanto está me fazendo sofrer”, desabafa ela.
O trecho da via onde a menina perdeu a vida está marcado. Flores e uma cruz foram colocados ali para marcar onde a vida dela foi tirada de maneira tão brutal. Até a publicação desta reportagem, o motorista do carro permanecia preso.



