Ivan chama Keka de mau caráter e o acusa de oferecer todos os cargos para se eleger
O vereador Ivan Martins (PSD) chamou o, também, vereador Gerson Luis Morelli (PSB), o Keka, de mau caráter, durante entrevista à Rádio Cidade esta manhã. E mais: ele o acusou de oferecer todos os cargos comissionados atuais no Legislativo para ter o voto de um membro da situação e tentar se eleger presidente da casa.
A entrevista foi resposta a colocações feitas por Keka em outra entrevista, também à Rádio Cidade esta semana, em que ele anunciava sua candidatura á presidente da mesa diretora e repetia os motivos que o levaram a não realizar o pleito de escolha na última sessão do ano passado, em dezembro. Como primeiro secretário da mesa e com a renúncia do presidente do vice, Keka ficou com a prerrogativa de conduzir o processo. Ele, no entanto, deu por encerrada a sessão, marcando outra apenas para 4 de fevereiro de 2020.
Segundo Martins, Keka descumpriu acordo feito em 2018 para a sucessão da mesa diretora. “Ele preferiu agir na surdina, praticando atos contrários ao que acordou conosco, o que nos faz crer que é mau caráter. A pessoa que firmou compromisso, olhando olho no olho, faltar com a palavra nesse momento é mau caráter”, frisou Martins.
Keka teria concordado com eleição de Martins já em 2018
Em 2018, conforme Ivan Martins, foi realizada uma reunião com os vereadores da situação, dez no total, para tratar da sucessão à presidência e mesa diretora da Câmara nos últimos dois anos da legislatura, 2019-2020. Foi fechado um compromisso entre todos, incluindo Keka, de que Ivan seria o candidato, mas que abriria mão em 2019 para José Zancanaro (PSB), ficando como vice e sendo conduzido ao cargo em 2020. Na entrevista à Rádio Cidade, Keka afirmou que nunca houve acordo algum a respeito.
“Esse acordo foi fechado com ele junto. Ele estava junto. Ele não estava fora”, frisou Martins.
O vereador do PSD disse, ainda, que a postura de Keka no final do ano passado, de não convocar a eleição da mesa diretora, é fruto de articulação feita entre vereadores da oposição, sob orientação de um servidor da casa, o qual ele não quis dizer o nome. Por trás disso estaria o risco de que, se Martins assumisse, retiraria uma gratificação de 40% sobre os salários dos funcionários e que está sendo contestada na justiça. Com a proposta inicial de equiparar os ganhos dos servidores da Câmara com os do Executivo, o percentual teria tornado, ao longo dos anos, os salários do Legislativo acima da média.
Gratificação teria começado na década de 1990
A situação toda, segundo Ivan, começa na década de 1990. Entre os anos de 1993 a 1996, havia uma reclamação dos servidores da Câmara de que os salários destes eram bem inferiores ao pagos na Prefeitura. O então presidente da casa, Dejair Machado, propôs que se pagasse percentual de 20% a título de gratificação, com reajuste anual da inflação, até que se chegasse à equiparação, quando a gratificação deveria ser extinta.
Porém, ainda de acordo com Ivan, o ex-vereador Vilmar Bunn, que presidiu a Câmara nos anos de 2009 e 2010, ao invés de retirar os 20%, acresceu mais 20%, totalizando 40% de gratificação.
“Temos salários na Câmara de mais de R$ 20 mil. Tem de R$ 20 mil, R$ 22 mil, R$ 23 mil. E não são poucos. Principalmente os mais antigos”, disse ele.
Keka teria oferecido cargos para garantir voto e ser eleito
Ivan Martins questionou o discurso de Keka de querer fazer uma nova política. Ele teria proposto dar todos os cargos comissionados existentes na Câmara atualmente para ter o voto de um vereador da situação. A barganha aumentaria suas chances de vencer a disputa contra Martins, considerando que Morelli afirmou ter o apoio da oposição e depende de dois votos para levar a presidência.
“Ele, simplesmente, ofereceu os cinco cargos comissionados para o vereador indicar. Tirar os cinco que lá estão e colocar cinco novos do vereador, tentando buscar o voto. Isso é política nova? E eu quero que ele diga que é mentira!”, frisou, afirmando que tem isso gravado.
Martins disse, também, que Keka não tem poder de decisão própria, sempre está seguindo a orientação de terceiros.
“Sempre foi um vereador instável. Estamos no último ano e é um vereador que está passando em branco na Câmara. Infelizmente, nada fez para justificar ou corresponder a expectativa que o eleitor teve com ele na última. (...) É um cara medroso, que não tem coragem de chegar e dizer o que tem vontade. (...) Diz que é homem sério. Não é. Diz que é confiável. Não é. Até o grupo que ajudou ele a se eleger, ele também traiu”, finalizou Martins.



