A crise econômica que tomou conta do Brasil foi o maior inimigo de um setor que busca se recuperar ao longo dos últimos anos. Essa é a avaliação que faz de 2015 o empresário Marcus Schlosser, presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis, de Fiação e Tecelagem de Brusque (Sifitec). Crise que, se não der sinais de diminuição em 2016, deve afundar ainda mais as perspectivas de recuperação do segmento.
Colapso que, segundo o empresário, era já conhecido do setor têxtil, mas que pegou de forma mais ampla toda a cadeia industrial produtiva do país. “Torna-se um problema grave, social, cujo fim não se vê por enquanto. Soluções deveriam estar acontecendo, mas estão longe do horizonte vivido”, pontua ele.
Por conta disso, o ano foi para o Sifitec de busca de informações para o empresariado do setor na condição de entidade representativas. Participações em congressos em níveis estadual e nacional foram frequentes. “A entidade procurou participar e se manifestar. Procuramos trazer informações aqui em diversos eventos, como o da Abit, nos posicionando sobre as questões macroeconômicas e suas influências no setor”, relembra ele.
A concorrência com produtos asiáticos, de custo de produção mais barato e, da mesma forma, inseridos a preço menor no mercado brasileiro, bem como a elevada carga tributária foram percalços revividos este ano pelo setor. “Apesar de vários encaminhamentos, essa crise politica e ética que estamos vivendo, praticamente obscureceu tudo que poderíamos ter conseguido”, frisa ele em relação à busca da entidade por soluções aos problemas citados.
A participação do empresariado na discussão de temas coletivos também tem sido um entrave. Para Schlosser, em momentos difíceis como o que vive o país, a postura de muitos tem sido de se recolher.
Schlosser destaca que a produção industrial do estado em relação a 2014 caiu cerca de 8%, levemente superior ao Brasil, que ficou na casa de 7,8%. “Santa Catarina sempre foi um estado que senti a menos essas questões. Este ano vemos que Santa Catarina está acima da do Brasil”, destaca ele. A produção industrial têxtil despencou de janeiro a outubro em torno de 11%. Nas vendas contabilizou-se menos 11% de negócios. A indústria conseguiu segurar os empregos até março, mas, depois disso, começou a demitir. Mais de 12 empregados foram dispensados neste período.
A perspectiva para 2016 não deve ser diferente, alega o empresário. “O que temos visto com mais ênfase é que 2016 será um ano perdido. Na produção têxtil do Brasil caímos para níveis inferiores a de 2005. São dez anos totalmente perdido para o setor”, finaliza Schlosser, afirmando que a aposta do empresariado para driblar essas dificuldades é investir em criatividade.



