(VÍDEO) Debater retorno do voto impresso é importante, diz criador da urna eletrônica

O processo eleitoral avançou muito no Brasil. Se trinta anos atrás a população demorava semanas para saber quem era seus representantes eleitos, hoje isso acontece em horas, as vezes ate minutos após o encerramento da votação.
Atualmente, quando se fala em voto no Brasil, é como se tudo o que se viveu nos anos 1990 tivesse ficado lá atrás. Ao mesmo tempo, tem crescido o clamor pelo retorno da votação impressa. Mas até que ponto isso é viável ou saudável para o processo eleitoral no país?
Criador da urna eletrônica, processo que revolucionou o sistema de apuração de votos no Brasil, o ex-desembagador Carlos Prudêncio afirma que é possível, sim, manter o atual sistema e implementar, novamente, a votação imprensa. Manter a vontade popular é imprescindível, afirma ele.
“Posso afirmar que é muito sadia essa discussão, que o povo discuta a validade ou não, para que ele, eleitor, possa conferir seu voto”, pontuou à Rádio Cidade.
Em 1989, Carlos Prudêncio era juiz eleitoral em Brusque e lançou para o mundo a urna eletrônica. Modelo que ele guarda até hoje em sua residência. Uma verdadeira relíquia.
Apesar de entender válido o retorno do voto impresso, ele afirma que a grande questão é ter a possibilidade de auditar o resultado. E isso, em sua visão, pode ser feito eletronicamente.
“Os partidos políticos, com antecedência, têm que indicar ao juiz eleitoral os fiscais de toda a votação. Se tem dez partidos, dez ficais. Terminada a votação, o presidente (da sessão) aciona sua senha e, eletronicamente, sai para ele o resultado daquela sessão. Ela vem impressa em uma tira de papel. Assim, o presidente da sessão entrega o resultado para cada um daqueles dez fiscais”, exemplifica ele.
Com isso, é possível que os partidos centralizem a contabilização dos votos a partir da emissão impressa em cada sessão. Se houver algum equivoco entre o que foi divulgado pela Justiça Eleitoral com o registrado pelas legendas, a eleição pode ser contestada.
“Mas vocês viram que até hoje, nunca, alguém conseguiu entrar na urna eletrônica”, pontua Prudêncio.
O ex-desembargador acredita que é possível avançar ainda mais o sistema de voto, utilizando tecnologia que já está aí. E cita o modelo usado no sistema de criptomoedas. E vai além:
“Colocar na tecnologia um sistema que, no mesmo momento em que eu esteja votando ali, o sistema já mande para mim o meu voto. Reproduza o meu voto. Via mandar para mim no meu celular, Iphone, relógio, para meu computador, meu Ipad. Ou seja, tenho meu cadastro e exijo receber a comprovação o meu voto”, finaliza.


