Danilo Moritz rebate reportagem da Folha
A Folha de São Paulo deu continuidade à matéria publicada na última sexta-feira (11), que apontava irregularidades relacionadas à ONG ADRVale (Agência de Desenvolvimento do Vale do Rio Tijucas e Rio Itajaí-mirim). A agência, que estava sendo investigada pela Polícia Federal, teria recebido uma verba de R$ 6,9 milhões do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT).
Na matéria publicada no sábado (12), a Folha citou o nome de Danilo Moritz, ex-prefeito de Brusque (1993/1996), como envolvido. Acompanhe na página A14 da edição: http://acervo.folha.com.br/fsp/2011/11/12/2.
Em entrevista exclusiva à Rádio Cidade, o funcionário da ONG falou das acusações na manhã de hoje (14). Prestador de serviço para a AdrVale desde 2005, Danilo explicou que foi convidado pelo ex-secretário de Desenvolvimento Regional, Jair Sebastião de Amorim, para integrar o quadro de colaboradores da ONG, que antes funcionava em São João Batista.
Com a vinda da ADRVale para Brusque, Danilo passou a cuidar do planejamento para fazer com que a ONG efetivamente prestasse os serviços para os quais ela foi criada. Desenvolver projetos regionais - desde a elaboração até a execução - e programas de qualificação profissional, são as principais linhas de projetos da ONG. "A realidade está aí. Conseguimos tornar a ADRVale em uma entidade viva, e desde então, estamos desenvolvendo projetos", afirmou Moritz.
O projeto "Consórcio Social da Juventude" foi o investigado pelo ministério Público (MP), que ficou por 6 meses realizando auditorias em todo o Estado. De acordo com Danilo, após a auditoria, o MP emitiu um relatório que conclui não haver irregularidades e arquivou o processo. "Analisando-se os procedimentos administrativos retrocitados, conclui-se que o Convênio foi executado dentro das formas exigidas pela legislação Federal. Os esclarecimentos concluíram pela correta aplicação dos recursos federais, a execução do convênio atingiu seu objetivo e a aplicação dos recursos se deu em conformidade com os parâmetros estabelecidos pelo ministério do Trabalho e Emprego (MTE). (...) Por tudo isso, considerando que as informações apresentadas não caracterizam aplicação indevida ou desvio de recursos públicos, determino o ARQUIVAMENTO deste procedimento nos termos já mencionados".
O documento foi assinado pelo procurador da República, Renato de Rezende Gomes, em setembro de 2010.
"Em primeiro lugar a folha cometeu uma injustiça muito grande ao citar o nome do Osmar Boos, que não era o presidente da AdrVale na oportunidade e sim o Gilson José de Oliveira, de Tijucas, que não tinha nenhuma vinculação com o PDT", desabafou Moritz.
Na reportagem, a Folha aponta que um escritório de contabilidade teria recebido R$ 21 mil, quatro empresas de Danilo haviam recebido R$ 45,5 mil e que uma empresa da esposa de Danilo teria recebido R$ 10,5 mil. Moritz rebateu todas as acusações:
J & J Contabilidade - "No plano de trabalho do convênio, tinha três cargos de contabilidade, um gestor e dois assistentes. O valor previsto no projeto era de R$ 95 mil. Contratamos a empresa para fazer todo o serviço da ADRVale por R$ 44 mil. Economizamos mais de R$ 50 mil. Eles prestaram serviço. Qual a lei que proíbe contratar eles se esses cargos estavam previstos no projeto? O salário estava determinado no projeto. Se contratamos Joaquim e Daniel é porque eles são capazes e realizaram o trabalho. E eu contrataria de novo. Além disso, eles não têm vinculação política com ninguém".
Empresas de Danilo - "Quais são essas empresas? A Folha não aponta. Eu tenho uma empresa, a Intelectus. E presto serviço a várias entidades. As outras empresas citadas eu comprovei que não era sócio através do contrato social. A Intelectus foi contratada pelo consórcio para fazer toda a reestruturação do projeto. Era um projeto de 4 mil jovens em 38 municípios, a ADRVale não tinha tanta experiência assim. Fui contratado e fui pago. Tenho os contratos, todas as notas fiscais e os cheques recebidos. Isso ai é muito dinheiro para ser o coordenador geral do programa e fazê-lo funcionar? Esse é o valor total do contrato, eu ganhava pouco mais de R$ 3.500 por mês pelo meu trabalho". Sobre a empresa da mulher de Danilo, ele afirmou não existir. "Ela foi sócia da Intelectus, mas na época ela não tinha nenhuma empresa no nome dela".
Segundo Danilo, todos esses fatos já foram esclarecidos e aceitos pelo ministério Público. Ele afirma que a Folha continua insistindo no relatório da controladoria geral da União (CGU), sendo que o MP já mandou arquivar. "Onde é que eles querem chegar? Será que eles estão sendo pagos por alguém? Eu continuo sendo prestador de serviço e sou pago para isso. Quero ver alguém dizer que eu não trabalho e não faço funcionar".
A Folha ainda citou que a ADRVale pagava funcionários e empresas fantasmas. "Mas, quais são elas? Uma coisa é acusar. Outra é mostra e provar... eles têm que dizer os nomes e não jogar lenha na fogueira e prejudicar a imagem de uma pessoa como Osmar Boos. Veja o consórcio e tudo que foi feito. Tudo foi prestado conta ao ministério do Trabalho. Tudo foi pago com cheque nominal e os serviços foram prestados".
De acordo com Moritz, as pessoas estão questionando sobre o incêndio, se não seria para queimar todos os documentos. Danilo enaltece que essa documentação foi salva. "Felizmente a prestação de contas, com todos os documentos, foi encaminhada a Brasília antes do incêndio. E a documentação já estava toda lá. A prestação de contas foi encaminhada, as notas fiscais estão aí", finalizou.


