′Se achavam que com esse tirinho iriam me matar, se enganaram′

Foi com essa frase que Paulo Roberto Eccel (PT), prefeito afastado de Brusque, encerrou a entrevista concedida à Rádio Cidade na manhã desta quarta-feira (2). A menção era quanto ao futuro político, independente de ter sucesso ou não nas ações que estão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que buscam reaver seu mandato, cassado pelo mesmo órgão em março deste ano.

Eccel rompeu o silêncio de mais de seis meses. Ao longo de uma hora em que esteve ao vivo no programa Rádio Revista Cidade, o ex-prefeito abordou assuntos como o próprio processo em análise no TSE, a atuação do governo interino de Roberto Pedro Prudêncio Neto, as medidas adotadas na Prefeitura para enfrentar a crise neste final de ano e a situação do Partido dos Trabalhadores (PT) em nível nacional.

Confira, abaixo, trechos da entrevista.

SILÊNCIO

O período em que se manteve em silêncio desde sua saída do comando da Prefeitura, no dia 31 de março deste ano, até este mês, foi de ações para tentar reverter sua cassação na esfera judicial. Ele disse que não considera que a situação tenha tido um ponto final.

“Certamente represento um dos políticos mais injustiçados na história de Brusque, de Santa Catarina e do Brasil. Porque sou o único prefeito   no país que teve o mandato interrompido de uma maneira totalmente atípica. O ato que pratiquei não tem nada de ilegal, não tem nada de irregular”, disse.

Eccel destacou a atuação da ministra Luciana Lossio na sessão do TSE do último dia 17 de novembro, onde ela fez ponderações sobre o material utilizado na ação e que a oposição ao então prefeito o acusou de promoção pessoal ou de seu governo.

“O jornalzinho que distribuímos para a nossa população distribuíamos desde 2009, a cada dois ou três meses. Geralmente era entregue através do Samae, uma espécie de prestação de contas. A população precisa  saber onde o dinheiro dela está sendo investido. A turma que hoje está fazendo essa belezura de administração no município de Brusque pegou dois exemplares e disse que era uma campanha antecipada, que eu estava fazendo”, frisou, afirmando ter ouvido de diversas lideranças pelo país, inclusive de grupos partidários do atual governo municipal, inconformação. Falou que a ministra não viu nada de irregular.

Sobre gastos com publicidade, ele é enfático nos argumentos. “Quando falamos de publicidade institucional, qual é a publicidade? A população sabe que no início do ano tem que pagar IPTU.  Então, a Prefeitura tem que colocar outdoor, colocar carro de som, fazer anúncios na Rádio Cidade e nas outras  rádios, nos jornais. Quando tem a Felicitá, a prefeitura tem que comunicar para que a população vá na Felicitá”, disse ele, usando exemplos, entre outros, de ações de publicidade institucional.

Para ele, seu crime foi divulgar os atos da Prefeitura, inclusive tendo gasto bem menos do que poderia ter utilizado em termos de recursos financeiros. “Eu combati a corrupção, demiti gente quando se descobriu que estava cometendo ato de corrupção. Nós estimulamos a criação do Observatório Social”, citou, destacando que há esperança de que o caso volte a ser julgado este ano, pois o TSE ainda tem algumas sessões.

GOVERNO INTERINO DE BRUSQUE

Eccel disse que fala com conhecimento de causa, pois tem se debruçado desde o mês de abril, quando conheceu muitos modelos de administração pública e desconhece prefeitura no país que estivesse tão organizada até administrativamente até abril deste ano como a de Brusque. Desde 2008, o governo trabalhava com planejamento estratégico, plano este que estava elaborado até 31 de dezembro de 2016.

Um dos pontos ditos pelo ex-prefeito foi quanto á sua própria atuação junto à sociedade organizada. Além do governo planejado, mensalmente ele tinha reuniões com entidades, como sindicatos, associações de moradores e da classe empresarial.

“O nosso projeto estava construído não em cima do ódio, mas em cima do amor. A minha dedicação e de minha equipe era dedicação integral. Acabamos com essa história de trabalhar só meio período e ganhar pelo período inteiro, como havia no governo anterior ao nosso e foi rejeitado pela população”.

Na avaliação do prefeito afastado, o governo interino se fundamenta “no ódio e na vingança”. Algo que, em sua avaliação, pode ser comprovado com a não continuidade de obras, como a da UPA 24 horas, fechamento da Casa de Passagem e uma eventual troca nas cores dos uniformes escolares para 2016. Além das obras do PAC paralisadas, ele apontou ainda problemas nas unidades básicas de saúde,  redução do horário de expediente da Prefeitura, não continuidade da Vila Olímpica e liberação de funcionamento do evento de som automotivo, o Tunnyng Party Brasil, realizado no domingo (29).  “Como tínhamos negado a autorização, a interinagem, como vingança, foi lá e autorizou”.

Para Eccel, a forma de gestão da cidade retrocedeu ao governo da época de Ciro Marcial Roza (PSD). “Essa turma está com conceito de administração de 2008, não mudou nada. A carinha pode ser novinha, mas as formas de gerir a cidade estão sendo exatamente as formas de gestão de como era até 2008. Aquele empreguismo, as pessoas vão lá e me contam que os setores onde tínhamos duas ou três pessoas, hoje tem doze, dez pessoas”, comentou.

CRISE FINANCEIRA

O ex-prefeito falou também sobre as medidas adotadas pelo governo interino de Roberto Pedro Prudêncio Neto para enfrentar a crise econômica que vive o país. Para ele, se propagou tanto a respeito da crise que ela virou realidade, com mais força em um lugar ou outro.

“Para a interinagem municipal, é uma santa crise. Para mascarar a incompetência e a falta de traquejo na moderna forma de administrar uma cidade, eles estão usando a crise nacional para tudo. A crise está sendo usada porque não estão interessado de gestão e, sim, de contratar cabos eleitorais para  a  campanha do ano que vem”.

O desfile de Natal é um exemplo disso, disse Eccel. Para ele, o período natalino ação é algo que une as pessoas, faz com que se tornem mais solidárias. Criamos o Programa Cidade Natal, um conjunto de atividades e ações. “O custo do desfile de Natal é muito baixo para a  Prefeitura pois quem faz são as entidades e os grupos. A população prestigiava”.

DÍVIDA DA PREFEITURA COM O SAMAE

Eccel disse que seu governo tinha dois anos de mandato pela frente para resolver esse problema. Revelou que cerca de dois anos atrás, os setores de Saúde e Educação passaram a fazer os pagamentos individuais de água para o Samae. As demais estavam em processo de estudo para quitar. A intenção era fazer o pagamento de dívidas através de cessão de espaços da Prefeitura para uso da autarquia.

“O que a Prefeitura quer é pegar o dinheiro do Samae, cerca de uns R$ 4 milhões, para tampar furo da alta folha de pagamento da turma de cabos eleitorais que está sendo paga  pela administração municipal neste momento”, disse na entrevista.

O ex-prefeito criticou a decisão de se usar espaço no Parque Leopoldo Moritz (Parque da Caixa D’água) para se construir um reservatório de água. “Era um espaço de lazer, onde as crianças iam como os pais para se divertir e as escolas fazer piqueniques”.

PARTIDO DOS TRABALHADORES

“As pessoas fazem algumas ligações. Outro dia vi um carro com adesivo escrito “eu apoio a lava-jato”. Eu também apoio a Lava-jato. Bandido tem que pagar por aquilo que fez. Acho que o maior sacrilégio que se tem é usar dinheiro público para promoção pessoal”.

As palavras eram referente ao que vive seu partido, o PT, em âmbito nacional. Nessa linha. Eccel disse que a população precisa ficar atenta para situações como quem está investigando ou dando liberdade para que os casos sejam apurados. Lembrou que a Polícia Federal é atrelada ao governo federal, que tem apoiado todas as ações de combate à corrupção.

“Assim como a polícia do estado é comandada pelo governo estadual, a federal é comandada pelo governo federal”, prosseguiu, citando que a presidente Dilma Roussef foi quem sancionou a lei da delação premiada, principal mecanismo utilizado na Lava-jato.

“A corrupção, essa chaga, esse mal, sempre existiu. Mas era sempre escondida debaixo do tapete. Os governos nunca aceitavam que saíssem CPIs, nunca permitiam que a PF desempenhasse seu papel. Agora, doa a quem doer.”

Para ele, a mídia, principalmente os grandes veículos de comunicação no Brasil, agem de forma tendenciosa. “Quando existe alguma publicação no jornal, normalmente se destaca a figura do PT. Aquele grande empresário que foi preso, ontem falou na CPI que é José Carlos Bumlai e não amigo do Lula”.

Disse que o banqueiro André Estevez, preso na semana passada, pagou a lua de mel do senador Aécio Neves (PSDB), fez campanha a ele e deu dinheiro ao tucano. Porém, a grande mídia não divulga a aproximação deles, mas no caso de Lula, sim. “Essa parcialidade, dois pessoas e duas medidas é que me incomodam. Está se tentando fazer uma lavagem cerebral no Brasil. Daqui a pouco se estripa o PT e a cambada todas que sempre se aproveitou do poder vai se aproveitar do poder, mas com a aparência de que está tudo certinho”.

FUTURO POLÍTICO

“Estamos perseguindo que a justiça seja feita. Certamente um dia quero voltar aqui para contar tudo o que descobri nesse período de investigação eu estou fazendo desde abril nesse meu caso. Porque não teve só a atuação da justiça. Teve vários outros movimentos”, soltou o ex-prefeito.

Sobre 2016, Eccel disse que o PT de Brusque terá candidato para apresentar aos demais partidos interessados na campanha. Ele próprio estará envolvido na campanha, mais do que nas duas últimas em que saiu vencedor. “Acredito que  a população está percebendo o que aconteceu com a cidade com essa diferença de modelos”.

Ano que vem, ele deve retornar a lecionar na Unifebe, onde é titular como professor. Sobre sua participação direta na política, o ex-prefeito disse que vai buscar retomar os direitos políticos para tentar cargo na eleição de 2018. “Fomos violentados nesse processo. Mas se achavam que com esse tirinho iriam me matar, se enganaram muito”.

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