Sequelas são para sempre

Uma arma letal. O trânsito é um dos setores que mais mata no Brasil. São 160 vítimas fatais por dia no país. Além disso, há também as pessoas que coseguem escapar com vida, mas convivem com graves sequelas. Muitas vezes, marcas que ficam para sempre. Sobrevivente que uma grave colisão em março de 2004, Edson Laurindo (27) sabe bem o que é isso. Ele ficou paraplégico após se perder em uma curva e bater contra uma árvore.

Depois de se divertir em uma festa com os amigos, o jovem, que na época tinha apenas 17 anos e não possuía carteira de habilitação, resolveu dar uma carona a um colega até a cidade vizinha, São João Batista. Outros dois amigos o acompanharam em uma segunda moto. Velocidade acima do permitido, foi o motivo de Laurindo ficar sem os movimentos das pernas para sempre.

“Velocidade máxima, um querendo correr mais que o outro, imprudência e me perdi numa curva e bati direto numa árvore. Bati a cabeça, minha coluna foi toda para traz e fraturei oito vértebras, ficando paraplégico, do peito para baixo perdi todo o movimento e sensibilidade. O rapaz que estava de carona voou por cima da árvore e graças a Deus não se machucou. Os da moto de trás pararam para me socorrer e isso me prejudicou, porque me pegaram pelas pernas e pelos braços e me subiram até na rodovia, prejudicou bastante minha lesão”, conta.

Com poucas lembranças do momento ele lembra apenas que foi levado pela ambulância para o hospital de São João Batista, porque era mais próximo. Chegando lá o médico o enviou para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital de Azambuja, em Brusque. Foi no mesmo dia que ele descobriu que não tinha mais movimentos nas pernas, e que a chance de voltar a andar era de apenas 1%.

“Eu achava que isso era mentira, não iria acontecer comigo e que logo iria voltar a andar. Mas foi bem trágico. Lesão na medula é bem complicado, na hora eu não senti mais nada, eu passava a mão nas minhas pernas e não conseguia sentir. Foi bem complicado, eu lembro disso. E o médico já falou que medula não tem mais volta, 1% de chance. Ele disse que se em seis meses voltasse o movimento eu poderia progredir, mas senão melhorasse em seis meses eu não voltaria a andar”.

No auge da juventude, foi difícil aceitar. Mas ao invés de lamentar, Edson buscou meios de superar essa situação. Aprendendo a lidar com a cadeira de rodas e encontrando motivos para continuar. Foi no esporte que ele buscou força pular para o obstáculo. Oito anos depois de começar no basquete para cadeirantes, continua deslizando a cadeira pela quadra do Sesc entre os amigos que passaram pela mesma situação.

“No começo foi bem difícil. A minha aceitação teve dois motivos, primeiramente o Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek. Lá tive todo o aprendizado a como se virar numa cadeira de roda. Vi que eu posso fazer de tudo, voltei de lá outra pessoa, querendo dirigir, trabalhar, estudar, ter minha vida. Poucos meses depois eu conheci o basquete através de um amigo. Aí ali foi melhor ainda porque vi pessoas com a mesma deficiência do que eu, e até piores, e estão felizes. O basquete foi uma das principais causas da minha recuperação. Eu não tenho dificuldade nenhuma, estou 100% recuperado”.

Nove anos depois do acidente, Edson reconheceu os erros e aprendeu a lição que a vida trouxe. Agora, ele deixa um alerta. “A gente tem que ter a cabeça no lugar né. Ter consciência que no transito a gente pode matar uma pessoa, ou se matar. Ninguém está livre de nada, tem que cuidar. Não beber, estava numa festa, ingeri bebida alcoólica, não estava bêbado, mas é uma coisa não deveria ter feito. Os jovens tem que ter consciência no transito, porque é uma arma e para alguém perder a vida é muito fácil”.

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