Construir é um bom e lucrativo negócio
Se há um setor que parece não ter sentido os efeitos da chamada crise econômica mundial, é o da construção civil. Constatação que não precisa de dados estatísticos. Basta o cidadão dar uma olhada para o lado. Em cada esquina vai se deparar com uma nova edificação sendo erguida. A grande quantidade de obras em execução aponta para o franco crescimento do setor, algo que vem se mantendo há vários anos seguidos.
De acordo com o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Ademir José Pereira, a ascensão econômica do setor é uma realidade. "Dos últimos anos para cá, a construção civil tem tido um crescimento considerável. A crise está no mundo, mas parece que no Brasil não chegou ainda. E Brusque é uma dessas cidades privilegiadas. A gente vê que tem muita obra sendo realizada aqui", comenta. O Sinduscon congrega os empresários que atuam no setor de construção civil em Brusque e região.
Um dos principais motivos deste desenvolvimento pode estar na atuação do governo. Os financiamentos oferecidos por bancos estatais, ou até privados, colaboram de maneira significativa para a movimentação do setor. Tudo isso tem origem na busca para diminuir o déficit de moradias apresentado no País. Neste ponto entram as ações governamentais, pela liberação do crédito imobiliário. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, datados do ano de 2006, seria necessária a construção de mais de 7 milhões de moradias para suprir a demanda do setor.
Em Brusque, não há registros específicos sobre essa mesma carência. Entretanto, segundo informações da prefeitura, divulgadas a partir da adesão ao Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo Federal, cerca de duas mil famílias carentes aguardam na fila para adquirir a casa própria.
Outro fator destacado por empresários do setor de construção civil e que mantém acesa a movimentação do setor, ainda que não de maneira significativa, foi a enchente em novembro de 2008. Somente em Brusque, mais de 200 famílias terão que reconstruir por completo seus lares.
Para o presidente do Sinduscon, os investimentos do governo e a abertura dos bancos privados para o crédito imobiliário são fatores predominantes e que justificariam o crescimento considerável da construção civil. Mas não são os únicos. "A construção civil é uma das atividades que consomem muita mão-de-obra. Hoje o governo está colocando dinheiro na construção civil para que se absorva esta mesma mão-de-obra e isso está funcionando muito bem. A Caixa Econômica, o Banco do Brasil e até os bancos privados estão oferecendo dinheiro para a construção", reafirma Pereira.
Com o grande volume de dinheiro sendo colocado a serviço do setor, o mercado acaba sendo movimentado. Situação que leva muitas pessoas a mudar até mesmo o rumo de atividade. Não é exagero afirmar que há profissionais de outros setores buscando criar raízes ou aproveitar a boa onda no setor de construção civil.
"Hoje, tem muita gente que não pertencia ao ramo da construção civil, como médicos e empresários de outras áreas, que estão entrando em nosso setor. Estão começando a construir. O empresário que tem dinheiro para aplicar está fazendo isso na construção de prédios, porque realmente hoje é um bom negócio", afirma Ademir Pereira.
Na próxima reportagem, você vai saber das dificuldades de contratação de mão-de-obra para suprir a demanda na construção civil.


