Em busca de recuperação e cidadania

As marcas no rosto de Alaor Rodrigues (46) revelam um pouco da história que muitos moradores de rua têm em comum. O distanciamento da família, a discriminação e o preconceito da sociedade foram algumas das lutas enfrentadas diariamente pelo simpático senhor, que já começa a vislumbrar um novo futuro após encontrar no Abrigo Institucional de Brusque uma oportunidade para recomeçar sua vida, longe dos perigos das ruas e mais próximo de seus familiares.
Antes de ocupar uma das vagas do local, Alaor morou nas ruas de diferentes cidades por quase dois anos, sem documentação e sem perspectiva de mudar de vida. No abrigo, a equipe de profissionais da secretaria de Assistência Social e Habitação deu todo o suporte necessário para que Alaor pudesse encontrar um emprego e entrar em contato com seu filho. Eu estava desesperado. Não tem como comparar minha situação de agora com antes. Se não fosse pelo pessoal que me ajudou no abrigo, eu não teria conseguido, revela.
Alaor é apenas um dos exemplos positivos já registrados no local. Desde que foi aberto, em 16 de setembro, 45 pessoas já passaram pelo abrigo, sendo 40 homens e cinco mulheres. Atualmente há 18 residentes utilizando o serviço. Destes, cinco conseguiram emprego formal, com registro em Carteira de Trabalho, e oito trabalham informalmente como pintor, servente de pedreiro, entre outras funções. Há também pessoas aposentadas e outras que ainda aguardam a recuperação de sua documentação civil. Para todos os casos, a equipe de profissionais já realizou os encaminhamentos necessários.
A secretária de Assistência Social e Habitação, Patrícia Freitas, revela que entre os atuais acolhidos, aqueles que faziam uso de algum tipo de substância química foram encaminhados para tratamento. Desde o início das atividades do abrigo, um usuário deixou as dependências para alugar uma quitinete e nesse momento está custeando suas próprias despesas, com tratamento no Caps AD.
O Abrigo Institucional possui também uma horta com plantação de verduras, cuja manutenção é de responsabilidade dos institucionalizados, assim como os cuidados com o jardim.
O atendimento oferecido no local segue diretrizes federais, de acordo com a Política Nacional de Assistência Social. Todas as atividades do espaço são organizadas tendo como base um regimento interno que estabelece particularidades encontradas no município, dentre outros aspectos, o horário de entrada e saída dos usuários.



