A frase que intitula esta matéria pode parecer fora de contexto. Mas não está. É apenas parte do que disse um médico em resumo ao que é, para ele, exercer a profissão que escolheu. Afinal de contas, salvar vidas é, sem dúvida, um dos dons mais sagrados que pode existir.
As palavras são do médico anestesiologista Charles Machado. Alguém que define em uma palavra o que sente quem escolhe essa profissão. “A medicina é uma paixão”, pontua ele.
Charles se formou em medicina em 1990, depois de cinco anos de estudos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), optando pela especialidade de anestesiologia. “A grande maioria daqueles que optam por escolher essa área (medicina) o fazem com o intuito de ter um contato maior com o ser humano. Todo aquele que opta pela medicina o faz por sentir que precisa ajudar o próximo e, de alguma maneira, a sociedade também”, prossegue o médico.
Do tempo em que se formou até hoje, muita coisa mudou na medicina. Ao mesmo tempo em que a atividade evoluiu em termos de avanços tecnológicos e de medicamentos, o que facilita a vida e o trabalho dos profissionais, há outros fatores que seguram no caminho contrário. A desvalorização e o desrespeito são exemplos.
“O que me preocupa é que há um certo desrespeito governamental atualmente. O governo vem encarando de forma desrespeitosa algumas normas que já existiam”, diz ele em relação ao revalida – procedimento em que médicos formados em outros países precisam passar por teste para exercer a profissão no Brasil.
Para ele, a ação do governo neste sentido cria uma outra classe de médicos, menos qualificada e que causa preocupação à sociedade. “O médico brasileiro é um grande batalhador. Enfrentamos grande dificuldade para exercer a arte da medicina”, fria o anestesiologista, destacando as dificuldades de se exercer a profissão no serviço público. Faltam equipamentos, verbas, medicamentos e estrutura em unidades como as básicas.
Charles é um dos pouco mais de 430 mil profissionais médicos em atuação no Brasil. Os números, do Ministério da Saúde, são de 2014. Em mais de dez anos o número de profissionais praticamente dobrou no país. Nos anos 90 eram cerca de 220 mil. Porém, número ainda insuficiente diante da população. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, há dois profissionais para cada mil habitantes. Até 2026, a meta é chegar a 2,7 médicos por mil pessoal.
Mas, voltando ao título da matéria...
“Durante todos esses anos, a maior satisfação que tenho como médico é quando entro no centro cirúrgico e tem um paciente com cirurgia difícil. Fazemos o paciente dormir, anestesiamos, tiramos a dor para que ele suporte o procedimento. No pós operatório conseguimos acordar ele sem dor e a gente consegue ver esse paciente saindo do hospital, com seu problema resolvido. Talvez essa seja a maior recompensa. Muitas vezes ele não consegue se despedir do paciente ou dar um abraço. Talvez isso seja a maior satisfação em ter na área como profissional médico”.
Colaborou Rudi Vaz
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