Briga de cachorro' grande
Abaixo, cópia da correspondência enviada aos policiais civis em relação às tratativas para implantação, por parte do governo, do plano de carreira da Polícia Civil de Santa Catarina.
"Nobres policiais civis,
Como presidente da Adepol-SC e membro da comissão de elaboração do plano de carreira da PC, temos o dever de informar-lhes que ontem, dia 18 de maio de 2009, na Casa DAgronômica, em reunião que iniciou antes do meio dia até às 20h (vinte horas) aproximadamente, onde foi discutido o anteprojeto de lei do plano de carreira da polícia civil, tivemos a maior demonstração de que quem determina o encaminhamento de qualquer projeto que diga respeito à polícia civil para a Assembléia Legislativa nesta administração, não é mais o governador, mas a Polícia Militar com seus oficiais.
A palavra do governador Luiz Henrique, empenhada em inúmeras oportunidades, diante da polícia civil com auditórios lotados e em outras tantas para a presidente da Adepol-SC, foi literalmente descumprida.
A conclusão:
O nosso plano de carreira, prometido pelo governador desde o final de 2005, início de 2006, novamente foi barrado pelos oficias da PM.
Apenas para simplificar o ocorrido ontem, sem maiores minúcias, acompanhamos o diretor geral da SSP, del. Paulo Neves à Casa DAgronômica em atendimento ao chamado de urgência do senhor governador para a reunião que acontecia naquele local.
Sendo convidada posteriormente para participar do evento, ao entrar no recinto, para a minha maior surpresa, deparamo-nos com o alto comando da PM, juntamente com os secretários da segurança, fazenda, articulação e o delegado geral, sentados juntos com o governador para discutir o plano de carreira da PC. Pode isto??????
Para esclarecer, o secretário da SSP foi convocado pelo governador para reunião para tratativas do plano de carreira da PC e ao constatar in loco que os convidados não eram outros senão a cúpula da pm determinou que fosse chamado também o diretor-geral da SSP e o delegado geral da PC.
Mesmo diante da defesa inflamada do secretário da segurança, Ronaldo Benedet, que não mediu argumentos pelo encaminhamento do projeto à casa legislativa, do diretor geral Paulo Neves, quem tem sido grande defensor desta causa, da presença do delegado geral, nosso grande lutador e defensor dos interesses da PC mostrando a necessidade do cumprimento deste feito, antes mesmo de terminar a reunião com o governador e posteriormente com os deputados da bancada governista que ocorreria mais tarde, de antemão já se tinha um prognóstico. O mais lamentável:
Não à Polícia Civil porque os oficiais da PM não querem, não admitem que tenhamos qualidade de vida e dignidade na instituição. Se constar benefícios da PC embora iguais aqueles que eles já usufruem, não se admite.
O seu poder suplanta o governo Luiz Henrique.
O nosso sentimento foi de humilhação em ter que justificar o plano de carreira da Polícia Civil para os oficiais da PM.
Naquele momento, informamos ao governador que nos sentíamos diante de nosso próprio funeral, onde enterrávamos nossas esperanças e confiança na sua pessoa e na sua palavra, porque não tínhamos mais saúde para continuar acreditando em promessas de mais de dois anos, onde não se vislumbrava cumprimento.
Dissemos ao governador que era lamentável constatar que na sua mesa de reuniões, onde estava sendo discutido o plano de carreira da PC, fosse imprescindível o aval do oficialato da Polícia Militar. E mais, que a Polícia Civil estava confiante no cumprimento de sua palavra e que eu que também acreditava, reforçava constantemente esta premissa. Porém, diante do que se apresentava no momento, não poderia ter outra atitude senão repassar aos policiais civis esta triste e lamentável constatação de que, mesmo sabendo que somos a única categoria de servidores públicos sem plano de carreira, se os oficiais da PM não querem, não permitem, não teremos ou se o tivermos, deve ser como eles assim o desejarem.
Ao final desta primeira reunião, ficou definido que o projeto seria enviado a assembléia naquela noite.
Posteriormente, concluída a reunião com os deputados, tudo diferente: apenas foi-lhes entregue uma cópia do projeto para que fizessem as suas considerações, que, pelo todo vislumbrado no cenário, serão feitas pelos policiais militares dos gabinetes nos deputados.
Ficou marcada para o dia 09 de junho nova reunião com os deputados para discussão acerca do nosso plano de carreira e possível encaminhamento à Alesc.
Deste contexto, uma constatação: a preocupação do oficialato da PM não é buscar melhorias para sua instituição, mas barrar todo benefício que a Polícia Civil tente alcançar, inclusive aqueles que eles já possuem.
Parece que os oficiais da PM querem a separação definitiva das polícias.
Temos a certeza que a sociedade civil não aprovaria este desiderato.
Caros (as) policiais civis, não é pela falta de respeito que o governo está nos demonstrando, não é pelo momento de dificuldade pelo qual estamos passando, que vamos deixar a sociedade catarinense desamparada.
O momento é de muita calma e muita paciência. A Polícia Civil não pode entrar neste jogo mesquinho que tentam nos impor.
Apenas para deixar ainda mais claro o que aconteceu ontem, enquanto o alto comando da PM convencia o governador de não enviar o nosso plano, para a Alesc, pois seria outra 254, outros oficiais percorriam os gabinetes dos deputados com a mesma argumentação. E surtiu efeito pelo resultado obtido.
Temos que nos unir para, no mínimo, termos aquilo que merecemos.
A que ponto chegamos ......
Nobríssimos policiais, apesar do quadro nebuloso que estamos relatando, o momento de desânimo não pode se sobrepor à vontade de lutar e de não deixar as coisas como estão.
O momento é de mobilização responsável, de luta porque acreditamos no embate. Porque o objetivo é justo, digno e vale a pena prosseguir acreditando no nosso potencial de Polícia Civil.
Afinal, somos ou não a melhor polícia do Brasil?
Vamos fazer por nós.
Um fraternal abraço.
Del. Sonêa Ventura Neves
Presidente da Adepol/SC"


