Réu é condenado a seis anos
Os jurados decidiram que Adilson Antunes Pereira, acusado de tentativa de homicídio qualificado contra Rosimar José Dunke, é culpado apenas por tentativa de homicídio e não reconheceram a qualificadora. A sentença proferida pelo o juiz da Vara Criminal, Infância e Juventude, Edemar Leopoldo Schlosser, determinou a pena de 6 anos de reclusão em regime semi-aberto. O porte ilegal de arma de fogo, de uso restrito e numeração raspada, também foi reconhecido pelos jurados.
O crime foi no bairro Batêas, por volta das 5h30min do dia 17 de agosto de 2010. Adilson, segundo o processo, disparou quatro tiros contra Rosemar, atingindo o braço, a virilha e as costas da vítima. O motivo do crime teria sido um suposto envolvimento de Rosimar com Edivana Lema, esposa de Adilson.
Cinco testemunhas haviam sido arroladas pela defesa. Gilvan Galm, uma das testemunhas, solicitou dispensa de dois depoimentos. O promotor Alexandre Carinho Muniz não concordou com a dispensa de Rosimar, vítima do processo, e de Roseli Dunke, esposa da vítima, argumentando que eram as principais testemunhas do processo, o que causou uma discussão em plenário, sendo necessária a intervenção do juiz. O clima de tensão permaneceu durante toda sessão.
Os cinco depoimentos foram prestados, começando pela vítima Rosimar, que negou qualquer relação com Edivana. "Éramos apenas colegas de serviço". Segundo ele, no dia em que foi atacado, ele chegava do trabalho e entrava em casa quando ouviu um disparo e logo sentiu que havia sido atingido. Virou e viu um vulto na garagem de casa. Foi para cima do vulto, entrando em luta corporal. Como estava escuro, Rosimar só pôde reconhecer Adilson pouco depois. Mesmo com a briga, os disparos continuaram sendo disparados. Só aí Adilson percebeu que havia acabo as munições e fugiu.
A esposa de Rosimar, Roseli Dunke, foi a segunda a prestar depoimento, afirmando que na noite do crime, ela e o filho de 15 anos ouviram os disparos e foram até a garagem verificar o que estava acontecendo. Viram Rosimar ensanguentado e uma pessoa fugindo.
Chegada a vez de Edivana Lema, que foi casada com Adilson por 10 anos - hoje estão separados - começaram as controvérsias. Edivana assumiu o relacionamento até então negado por Rosimar. Disse que eles se encontravam fora do expediente de trabalho e se dirigiam a um motel. Foi, segundo ela, uma relação que durou cerca de 6 meses. Em todo o depoimento, ela defendeu a ideia de que o ex-marido nunca havia sido agressivo. Mas, os depoimentos prestados no ano passado apresentavam muitas divergências. Inclusive, que ela já havia registrado boletim de ocorrência contra Adilson por aplicar choques elétricos nela - ela pediu ao juiz medida protetiva.
Questionada pela promotoria, Edivana afirmou não se lembrar dessa agressão.
Foram ouvidos, ainda, Sandra Regina de Souza, amiga da família de Adilson, e Valmor Lema, ex-sogro do acusado. Eles afirmaram que Adilson sempre foi um ótimo amigo, genro, homem de família e pai. Encerrados os depoimentos das testemunhas, chegou o momento de ouvir o réu.
Adilson afirmou que ficou sabendo da traição quando Rosimar foi buscar Edivana perto de casa. Ele então rapidamente se dirigiu para a empresa em que os dois trabalhavam e ficou esperando eles chegarem. Rosimar e Edivana não apareceram. Ele acredita que eles tenham passado na frente da empresa e visto o carro de Adilson a espera deles.
Adilson esperou e, como eles não chegavam, foi para casa. Já na própria residência, o telefone tocou. Era Sandra, amiga da família que também prestou depoimento. Ela dizia que Edivana estava lá chorando e que ele precisava buscá-la para eles conversarem.
Sandra disse em plenário que Edivana foi deixada na casa dela por Rosimar. Então, Adilson foi buscar a esposa, conduzindo-a para casa, onde tiveram uma conversa. Ela, segundo depoimento de Adilson, confessou a traição, disse que não mais iria acontecer e resolveram tentar salvar o casamento.
Adilson afirmou ainda que, depois desse dia, Rosimar continuou perseguindo a família. Foi então que no dia 17 de agosto do ano passado ele foi até a residência da vitima para lhe pedir que deixasse a família em paz. Quando chegou, Rosimar o viu e foi na direção de Adilson. Antes mesmo de conversarem, entraram em luta corporal.
No meio da briga "sobrou" uma arma, que Adilson afirma ser de Rosimar, e Rosimar afirma ser de Adilson. "Peguei a arma e disparei sem ver para que direção", confessou o réu.


