Cris Poli falou da "Arte de educar com limites"
Educadora há mais de 40 anos, Cris Poli se tornou a Supernanny em 2006, no programa semanal do Sistema Brasil de Televisão (SBT). De nacionalidade Argentina, Cris mora no Brasil há mais de 35 anos. Formou-se em Educação no país de origem e fez especialização na Universidade de São Paulo.
Em 5 anos de sucesso com o Supernanny, a educadora já visitou mais de 100 famílias, deixando de concluir os ensinamentos com duas delas. Além disso, já publicou quatro livros, incluindo o best seller "Filhos Autônomos, Filhos Felizes", que superou 20 mil exemplares vendidos.
Convidada pela Associação de Homens de Negócio do Evangelho Plenoe (Adhonep), Cris Poli voltou a Brusque nesta quinta-feira (18) para palestrar sobre "A arte de educar com limites", no pavilhão Maria Celina Vidotto Imohf. Em entrevista na manhã de quinta-feira (18), no auditório na Unifebe, ela falou da palestra, do programa que apresenta e sobre diversos problemas sociais que envolvem a educação infantil.
Os alunos da Escola Ângelo Dognini, que estão instalados na Unifebe enquanto a escola passa por reformas, receberam Cris aos gritos. No salão de entrada do bloco C da instituição, eles aguardavam sentados a chegada da educadora. O simples "oi" da apresentadora deixou os estudantes radiantes, que até queriam autógrafos. Depois de muitos abraços e fotos, a apresentadora pôde seguir para a entrevista. O programa Supernanny, voltado para pais e educadores, também conquistou as crianças.
"Esse sucesso com todos os públicos me surpreende. Porque, mesmo que pareça para crianças, é um programa para pais. O foco são os pais. Ensinar a mudar as atitudes para, aí sim, mudar o comportamento das crianças. Convencer os pais do que está errado, mostrar o caminho certo e aplicar esses métodos para que depois eles possam mudá-las", destacou a apresentadora.
Na palestra, Cris aborda os limites que os pais devem estabelecer para as crianças e como fazer isso. Mas, a mudança começa no pai, em como ele deve agir com o filho. "Ninguém nasce pai. Você aprende a ser e aprende junto com os filhos. O limite é importantíssimo, porque você precisa mostrar para essa criança até onde ela pode ir, o que pode, ou não, fazer. Ele é necessário para conviver em sociedade e tem a ver com tudo. Desde não colocar o dedinho na tomada, ao tempo que a criança vai ficar na frente da televisão ou internet", enfatizou.
Colocar limites não é bater no filho. A educadora discorda do uso da palmada. "Minha proposta é educação e com a palmada você não está educando. Quando você bate significa que não conseguiu resolver com a ordem. Então dá um tapa, e lógico, dói. Por isso a criança pára. Porém, não educa. Você deve estabelecer regras", argumentou a educadora.
Ela acredita que o bullying, um problema social que existe há muito tempo, acontece por uma série de fatores educacionais, que inclusive podem vir de casa "Os filhos absorvem aquilo que eles vêem em casa e aplicam em outros meios. Sempre existiu, mas hoje está mais agressivo. Os pais têm que desenvolver um relacionamento de confiança para os filhos poderem contar a eles. Isso é um problema social que alcança a escola e a família".
Outro problema da educação infantil é o acesso fácil às redes sociais. Cada vez mais crianças entram nesse meio, que atinge milhões de usuários no mundo. A falta de controle dos pais é um problema, segundo Cris Poli. "Saber onde eles estão entrando escapa do conhecimento dos pais. O fato de as criança estarem na frente da internet, quietas, faz com que eles se despreocupem e possam fazer as coisas dele. Esse é o problema, esse é o erro".
Questionada sobre o futuro da educação no País e sobre o comportamento das novas gerações, ela afirmou estar preocupada. "Estou muito preocupada, realmente. Eu vejo uma geração que eu não sei o que vai acontecer. E isso é consequência da educação que damos às nossas crianças", finalizou.
Uma multidão lotou o pavilhão Maria Celina Vidotto Imhof na noite de quinta-feira (18), para acompanhar a palestra com Cris Poli. Ela prendeu a atenção do público ao longo de mais de uma hora.
Colaboração: Valdomiro da Motta


