Como o dólar está presente no seu dia a dia

Dificilmente quando alguém está diante da prateleira do supermercado, lembra que os preços são diretamente influenciados pela moeda norte-americana. Ela geralmente só é lembrada diante de uma viagem ao exterior ou da compra de um produto importado, principalmente eletrônicos, que ficaram bem mais caros nos últimos meses.

O professor de Economia da Unifebe George Wilson Aiub explica que o preço do dólar exerce mais influência sobre a vida dos brasileiros do que a gente imagina. "Por exemplo, o Brasil produz feijão. Mas os insumos agrícolas para a produção do feijão são todos importados. Tudo isso impacta no preço do produto final", afirma.

Para se ter uma ideia, o Brasil precisa importar aproximadamente 6 milhões de toneladas de trigo por ano para conseguir fabricar pão para todo mundo. O que significa que o nosso pãozinho de todos os dias tem o preço baseado no dólar. Sobe o dólar, sobe o trigo. Sobe o trigo, sobe o pão, o macarrão, o biscoito, sobem os produtos da cesta básica. Subindo a cesta básica, sobem outros preços e assim por diante, numa reação em cadeia em toda a economia.

Alto ou baixo?

O preço do dólar sempre vai ser bom para uns e ruins para outros. Se a moeda norte-americana estiver muito baixa, a indústria nacional fica em desvantagem, já que pode ser mais interessante importar. O mesmo acontece se Real e dólar estiverem com a mesma cotação.

Ao mesmo tempo, se o preço do dólar estiver muito alto, as importações ficam mais caras e nenhum país é autossuficiente a ponto de produzir tudo o que consome. Não existe um preço ideal para o dólar. Existe um ponto de equilíbrio que deve ser buscado incessantemente e que vai ser definido de acordo com os objetivos que devem ser estabelecidos na economia. O que se deseja? Controlar a inflação? Estimular as exportações? Fortalecer a indústria nacional?

Alia-se a tudo isso o cenário internacional e chega-se, então, à estabilidade: que o dólar mantenha o preço e não seja nem tão caro, nem tão barato e, principalmente, tenha uma variação mínima possível. "Que seja R$ 4, mas que mantenha-se nesse patamar para que o Brasil volte a ter credibilidade no mercado internacional e diante dos investidores, que hoje se sentem inseguros com o Brasil pelo descontrole e pela instabilidade política e econômica", avalia Aiub.

Política x Economia

Há uma frase bastante famosa que diz: “a inflação aleija, mas o dólar, mata”. Ela foi dita pelo economista brasileiro Mário Simonsen. Ou seja, nenhum governo tem como definir quanto vai custar o dólar dentro do seu país, mas é seu papel adotar medidas para estabilizar a economia local e manter o equilíbrio do câmbio. "Corte de gastos, reformas tributárias, realinhamento dos impostos são algumas das medidas que podem reverter o quadro. Mas essas são medidas amargas, que vão refletir em alguns setores e nenhum governo quer fazer isso", completa o economista.

A alta do dólar vem trazendo reflexos negativos para o governo de Dilma Rousseff, fortalecendo a ideia de alguns setores da sociedade que defendem o seu impeachment. Para o professor Aiub, pelo menos em relação à moeda norte-americana e à economia nacional, essa não é a solução definitiva. "Impeachment é uma decisão política. É claro que toda decisão política tem reflexos na economia, mas, independente deste ou de outro governo, o que precisa agora é administrar o remédio amargo na economia para recuperar credibilidade e moeda estável", finaliza.

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