Atualmente, 77 pessoas recebem atendimento em Brusque por conta de terem sofrido algum tipo de violência sexual. A maior parte é de crianças e adolescentes. O número integra levantamento feito pela Rádio Cidade junto ao Serviço de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Savs), ligado à Secretaria Municipal de Saúde.
O número segue o que é verificado em nível de Brasil, que aponta percentual na casa dos 70% para crianças e adolescentes como as vítimas deste tipo de crime. Desse número, 80% são meninas e em 75% dos casos o ato de violência ocorre dentro da própria família.
“O que mais acontece é no âmbito familiar. São pais, padrastos, irmãos, tios. No extrafamiliar, são conhecidos, mas de fora do núcleo familiar”, explica a médica Jacklin Gil, que integra a equipe do Savs, afirmando que autores desconhecidos são verificados em casos esporádicos. Algo que se repete quando a violência é mais grave, com o estupro consumado.
A enfermeira Thaisi da Cunha, que também faz parte do grupo, explica que estas pessoas recebem todo atendimento psicológico para tentar se recuperar do trauma. Muitos, inclusive, são adultos já. Há casos de pessoas que sofreram esse tipo de violência inda na infância, mas trazem os reflexos até hoje.
Conforme Thaisi. O Savs atua dentro de uma rede de proteção a crianças e adolescentes, da qual fazem parte, também a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), da Polícia Civil, e o Conselho Tutelar.
“O nosso setor está à disposição. Porque, realmente, é um assunto que ainda gera muito medo. As pessoas têm medo de denunciar, mas temos que pensar que não podemos deixar as crianças e e adolescentes, ou até adultos, passarem por isso”, destaca Thaisi.
O Savs
O Serviço de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual é ainda novo em Brusque. Existe desde 2019. Foi inaugurado no dia 29 de outubro daquele ano. FunCiona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, no prédio do Centro de Serviços em Saúde, na Praça da cidadania (em frente ao terminal urbano), no Centro. No local atuam psicólogos, assistentes sociais, médicos, técnicos em enfermagem e farmacêuticos.
“O serviço é psicossocial. Nosso trabalho não é investigativo. Não ficamos investigando quem foi o abusador ou suposto abusador. Claro que precisamos de informações pontuais, mas focamos nosso trabalho em traumas psicológicos que levam consigo essas pessoas”, afirma a médica Jacklin.




