Réu que vai a júri popular nunca foi localizado
10 de agosto de 1995. Quase 16 anos após cometer o crime, um acusado de nome Elton Urique ou Elton Urigue, ou somente Pablo, será submetido a júri popular na segunda-feira (8) por homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio qualificado. Segundo consta no processo, na noite do crime o denunciado e outro homem chamado Silvio, que já foi julgado, saíram de carro com as vítimas Zaíra Batista dos Santos e Maria Sueli Ferreira.
Antes de sair, eles estavam na rodovia Ivo Silveira, nas proximidades da boate Montreal quando Silvio passou a discutir com Zaíra, sacou um revólver e efetuou disparos em direção à vítima, causando-lhe a morte. Em seguida, os denunciados colocaram Maria Sueli no veículo e, já em Indaial ela conseguiu se jogar do veículo em movimento. Quando se jogou, mais disparos foram efetuados, causando à vítima apenas lesões corporais.
A cadeira do réu estará vazia no dia julgamento. Segundo Marcellus Augusto Dadam, advogado dativo do acusado, isso acontecerá porque o tal Urique/Urigue/Pablo nunca foi localizado. Os nomes que constam como identificação não têm registros legais. "A Justiça, além de não tê-lo encontrado, não sabe se Elton é realmente a pessoa que estava lá naquele dia", destacou Dadam.
De acordo com a defesa, não existe no processo qualquer referência a Cadastro de Pessoa Física (CPF), ou registro eleitoral, de que essa pessoa exista com um desses nomes. "Até hoje, nós só sabemos que alguém esteve naquele local, mas esse alguém não tem qualquer identificação legal. Nós vamos ter que discutir isso lá em plenário, porque o que está acontecendo é que existia uma pessoa, mas ela pode ser o Elton, Pablo, Marcelo, João... Pode ser quem for, mas ninguém sabe quem é", explicou Marcellus.
Como não existe depoimento do réu, a defesa preparada por Dadam será baseada no mesmo processo que a promotoria vai usar para fazer a acusação. De acordo com o advogado, a defesa entende que o Ministério Público se equivocou. "Do nosso ponto de vista, se o Elton participou de alguma maneira, foi com relação à tentativa de homicídio qualificada, mas de uma forma muito pequena. Em relação ao homicídio, entendemos que em momento algum o Elton tenha participação. Nós vamos usar os mesmíssimos argumentos do Ministério Público, exatamente as mesmas vírgulas que serviram para a acusação", afirmou Dadam.
O júri popular é composto por sete jurados, que serão sorteados antes da sessão, e a sentença será proferida pelo juiz da Vara Criminal, Infância e Juventude, Edemar Leopoldo Schlosser. A sessão terá inicio às 8h30min de segunda-feira (8).


