O medo segue tomando conta dos moradores de parte do loteamento Bruschal, no bairro Azambuja em Brusque. principalmente aqueles que estão no entorno do reservatório de água instalado pelo Samae em 2019. O receio de que a estrutura caia e atinja as residências criou um embate entre a comunidade e o órgão da Prefeitura.
Nessa discussão entraram a Agência Intermunicipal de Regulação (Agir) e o próprio Ministério Público. Documentos encaminhados pela comunidade com denúncia sobre os riscos de problemas posteriores levaram à elaboração de laudos por parte da Defesa Civil e de um geólogo, atendendo orientações da agência de regulação.
O advogado aposentado Gerson Knihs, morador da localidade, é um dos que tem atuado no sentido de cobrar uma solução para o problema. Ele contesta as versões do Samae sobre não haver riscos e para isso apresenta os estudos que colocam sob dúvida a segurança da estrutura. Um deles feito pelo geólogo Juarez Aumond, a pedido da Defesa Civil, e outro encomendado pelo próprio Samae.
“No meu entendimento, ambos os laudos apresentam problemas na encosta e o Samae tem se baseado no do seu Juarez para dizer que ele é divergente do contratado pelo próprio Samae. Com esses laudos, atestamos o que tínhamos denunciado no ano passado, com relação á segurança da encosta”, pontua ele.
As discussões e diligências para verificar s riscos da estrutura ocorrem desde março de 2020. Por conta disso, o Ministério Público orientou que a capacidade de água do reservatório seja limitada a 40%. O projeto original aponta capacidade de 500 mil litros. Isso, no entanto, segundo os moradores e com base nos laudos, pode vir a causar deslizamentos, fazendo com que a estrutura ceda sobre as mais de dez residências nas proximidades.
“O Samae insiste em manter esse reservatório aqui, pondo nossa segurança em risco. A nossa situação está cada vez mais perigosa”, prossegue Knihs.
O diretor-presidente do Samae, Luciano Camargo, disse à reportagem que todas as recomendações feitas pela Agir e pelo Ministério Público estão sendo adotadas. A retirada da estrutura daquele local, afirma, pode deixar toda uma área de centenas de famílias sem água.
“Esse reservatório é a única forma de abastecimento desse local. Não temos outra forma de abastecer esse bairro. Qualquer mudança drástica nesse reservatório, a população ficaria desguarnecida de fornecimento de água”, frisou ele.
No entanto, Camargo diz que qualquer ordem que venha da esfera judicial para que sejam feitas mudanças, como a própria retirada do reservatório, será cumprida.
Finalizado em 2019, o reservatório tem capacidade pra receber 500 mil litros de água e abastecer áreas nas regiões dos bairros Azambuja e Souza Cruz. O custo, segundo o edital, da obra foi de, aproximadamente, R$ 477 mil.




