‘Prefeito, isso aqui é um tribunal político e eles chegaram primeiro’

Com discurso de que foi vítima de perseguição política e que o PT está sendo reavaliado positivamente pela população, o ex-prefeito de Brusque, Paulo Eccel, falou à imprensa na tarde de hoje, sexta-feira (29), sobre a decisão do STF que lhe devolveu os direitos políticos. O petista se disse justiçado pela decisão do ministro Ricardo Lewandowsky e deixou claro que pretende retornar às disputas já no ano que vem.

Na conversa de cerca de meia hora, Eccel disse que soube da decisão esta manhã, quando lecionava na Unifebe. Foi o advogado da coligação, Rafael Maia, que o informou ainda nos corredores da instituição. Era o fim de uma agonia que durava exatos dois anos de seis meses: foi em 30 de abril de 2015 que ele deixou a Prefeitura.

“Todos viram naquela época a forma que fomos tirados da Prefeitura, praticamente enxotados”, frisou ele.

Eccel disse que os motivos de sua cassação serão revelados pela história. Entretanto, voltou a repetir o que já disseram em manifestações anteriores após ter saído da Prefeitura, de que houve movimentações de bastidores para derrubá-lo do poder.

“Foi o que descobri no meu perambulo por Brasília. Inclusive movimentação de formas econômicas. Você chega num tribunal superior, como eu cheguei, e uma pessoa vem e diz: ‘prefeito, isso aqui é um tribunal político e eles chegaram primeiro’.

Ele e seus advogados não acreditam que haja mudança na decisão proferida pelo ministro Lewandowsky. Mesmo que um novo recurso pelos adversários seja apresentado para que o STF reveja a decisão monocrática. “Dificilmente isso ocorrerá. Até por conta de todo embasamento que foi feito na decisão do ministro Lewandowsky”, pontuou Eccel.

Embora a decisão tenha sido tomada na última quarta-feira (27) e haja a possibilidade de uma mudança de quadro com nova ação, o ex-prefeito deixa claro, embora não assuma, que será candidato a algum cargo em 2018.

“Eu estarei, sim, participando diretamente da eleição do ano que vem. Claro que será uma decisão que vou tomar junto com os demais do partido aqui em Brusque, mas, de alguma forma, estarei participando”.

Como não poderia deixar de ser, não faltaram críticas ao atual governo, de Jonas Paegle e Ari Vequi.

“Eu vou em algum lugar na cidade e sempre vem alguém e diz’ no teu tempo tinha isso e agora não tem mais’. (...) A cidade está abandonada. Claro que no meu tempo tinha buraco de rua. Mas hoje se você passa em uma rua tem um buraco. Se você passar daqui a um mês o buraco estará lá ainda. E se passar daqui a seis meses ele continuará lá”.

De maneira sutil, Eccel também demonstra discurso menos apaziguador em relação ao próprio Partido dos Trabalhadores. Pelo menos no que diz respeito aos envolvidos em corrupção nacional.

Na visão dele, a população está mudando sua visão em relação ao partido depois de ter visto o que os grupos que sucederam a legenda tanto em nível nacional quanto local fizeram.

“Se tem alguém que cometeu algo dentro do partido e for provado que seja punido. Não estamos aqui para acobertar ninguém”, comentou.

Paulo Eccel e Evandro de Farais tiveram os mandatos cassados em dezembro de 2012 pelo Tribuna Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC). A ação foi movida pela então coligação A Força do Povo, liderada pelo ex-prefeito Ciro Marcial Roza, na época do PSD. O TRE-SC reformou decisão da primeira instância, do juiz Edemar Leopoldo Schlosser, na época da Justiça Eleitoral da comarca de Brusque, que não viu irregularidade nas acusações feitas contra o grupo de Eccel de abuso de poder econômico no pleito daquele ano.

Eccel e Farinha conseguiram uma liminar, que os manteve no poder por pouco mais de dois anos. Até que, em abril de 2015, depois vários adiamentos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a decisão do TRE-SC e cassou os mandatos dos dois. O ex-prefeito entrou com recurso no STF e na quarta-feira desta semana, o ministro Ricardo Lewandowsky decidiu anular os efeitos da ação deferida pelo TRE-SC em 2012.

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