Medalhista do Parapan agora quer as Paraolimpíadas 2016

O medalhista de ouro nos Jogos Parapan-Americanos Matheus Rheine, de Brusque, participou nesta segunda-feira (24) ao vivo no programa Rádio Revista Cidade.
Ele deixou claro seu objetivo de subir ao pódio nas Paraolimpíadas 2016, que serão realizadas no Rio de Janeiro.
Aos 22 anos, Rheine é uma das apostas de medalha para o Brasil nos Jogos Paraolímpicos do ano que vem. A torcida se fortalece diante dos resultados alcançados ainda em agosto, quando o nadador conquistou duas medalhas de ouro nos Jogos Parapan-Americanos disputados no Canadá.
O atleta é totalmente cego devido a problemas que teve após o nascimento, com apenas seis meses e meio de gestação e 1,2 Kg de peso. Os procedimentos durante a incubadora foram a causa da cegueira de Rheine.
Mas ele não parece ter ressentimentos com a falta de visão. Ao contrário, até faz piadas com a sua condição e se mostra muito otimista perante a vida. Focado, tem na natação uma razão para a existência e nem os pesados treinos de segunda a sábado o tiram da meta de subir ao pódio paraolímpico no ano que vem.
A história com a natação começou cedo. Como tinha que ganhar peso para poder sair do hospital, por algum tempo teve uma dieta pouco balanceada, o que lhe rendeu muitos quilos a mais.
O pai, que também foi atleta – chegou a jogar pelo Fluminense apesar de ser flamenguista – o incentivou a praticar algum esporte para melhorar a saúde. Uma bronquite foi a aliada que faltava para escolher a natação como atividade física.
Do cuidado com a saúde para uma profissão, foi um pulo. “Meu pai sempre me incentivou muito e eu sabia que era isso que eu queria. Comecei nas primeiras competições para ver se ia gostar e não parei mais”, contou.
A primeira delas foram as Paraolimpíadas Escolares, em 2007, disputadas em Brasília. Em 2008 vieram os Parajasc e, um ano depois, o Comitê Paraolímpico Brasileiro lançou o Circuito Caixas Loterias, do qual Rheine também participou e fez sua carreira deslanchar.
Desde então, são só bons resultados, com medalhas e recordes. Segundo Rheine, o cenário para o paraesporte melhorou muito nos últimos anos. “Os atletas convencionais tinham três vezes mais competições do que os deficientes. É importante competir para evoluir. Não adianta ficar treinando o ano inteiro e competir uma vez. Foi o que aconteceu comigo em 2007 e 2008, mas agora as coisas estão melhorando, principalmente por causa da realização das Olimpíadas no Brasil”, destacou.
Até o ano que vem, o nadador de ouro brusquense já está com algumas competições agendadas, mas os treinos devem se intensificar com o objetivo de representar o Brasil em casa da melhor forma possível. Ele agradeceu a equipe que o acompanha, que tem como treinador o nadador Rogério Branco.


