Imagens contestam versão de policiais

A versão dos policiais sobre uma ocorrência do dia 5 de agosto na Rodovia Antônio Heil, em que o morador de Brusque Christofer Mendes da Silva, 20, levou um tiro na cabeça, está sendo contestada com base em imagens de câmeras de segurança.
De acordo com uma reportagem veiculada pelo Diarinho Online, uma empresa que fica próxima ao local de onde tudo aconteceu já cedeu à Polícia Civil o registro feito pelo seu sistema de monitoramento e, pelo que tudo indica, a sequência dos fatos é bem diferente do que foi relatado pelo sargento PM Fábio Azevedo e pelo soldado PM André Luiz Azevedo, que são pai e filho. Ambos estavam de folga no momento da ocorrência.
O motorista baleado estava acompanhado da filha de três meses e da mulher, Francilaine Rosa. Os policiais afirmaram que os tiros foram disparados porque Christopher teria tentado atropelar um deles.
Porém, conforme mostram as imagens, depois do acidente em que o Kadett do brusquense acerta a moto de André, os dois veículos ficam parados na rodovia e o policial pede ajuda ao pai, que estava em casa.
Enquanto Christopher e André conversam, Francilaine amamenta a filha no banco do carona. Em seguida, o motorista do Kadett fala com a mulher, que coloca o bebê na cadeirinha no banco de trás, volta para o lugar onde estava, fecha a porta e coloca o cinto de segurança.
É neste instante que Christopher tenta fugir, porém, sem tentar atropelar nenhum dos policiais chegando, inclusive, a desviar de um deles. Segundo a versão de Francilaine – que desmente os policiais desde o início – o marido estava assustado porque não tem CNH, por isso a fuga.
A partir de então, os dois policiais começam a atirar no carro e acertam os pneus, um dos vidros e, por fim, a cabeça de Christopher, que perde a consciência imediatamente. O carro, desgovernado, precisa ser controlado por Francilaine, que ainda evita um acidente.
O caso está nas mãos da Divisão de Investigações Criminais de Itajaí sob a responsabilidade do delegado Weidson da Silva, que já afirmou em entrevista considerar a atitude dos policiais precipitada. O condutor poderia ser identificado e chamado para responder pelos seus atos através de outros procedimentos, já que todos tinham a placa do Kadett.
Ele pediu a apreensão das armas dos PMs e ambos podem responder pelo crime de tentativa de homicídio. O sargento Fábio ainda não foi convocado para depor e seu filho já afirmou que não dará depoimento à polícia e só se manifestará em juízo.
Além da Polícia Civil, a corregedoria da PM e o comando do 3º Batalhão, ao qual pertencem os PMs envolvidos, também estão investigando a ocorrência.
André foi afastado das ruas e agora trabalha da parte administrativa. O sargento Fábio continua trabalhando normalmente nas ruas. Christopher permanece internado em estado grave na UTI Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú.
Com informações de Diarinho Online


