Até mortos 'assinaram' ficha de criação do PSD
Partido em fase de criação capitaneado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab, o PSD usou a assinatura de cinco pessoas mortas na lista de apoiamento para a fundação da sigla em Santa Catarina. O relatório foi produzido pelo chefe do cartório da 49ª Zona Eleitoral do Estado, Ângelo Eidt Pasquale. Segundo o documento, 140 assinaturas "não tiveram a autencidade comprovada".
Os indícios de fraude foram identificados nos municípios de Jupiá, Novo Horizonte e São Lourenço do Oeste. Em maio deste ano, o governador catarinense Raimundo Colombo anunciou que deixaria o DEM rumo ao PSD. A Justiça Eleitoral solicitou a instalação de um inquérito policial para investigar uma série de irregularidades na documentação do novo partido de Kassab.
Segundo o chefe do cartório da 49ª Zona Eleitoral, os mortos usados pelo PSD tinham domicílio eleitoral São Lourenço do Oeste. "Cinco eleitores falecidos ‘assinaram apoio ao PSD: Ivo Pavan Libardoni (morto em 3.7.2009), Hermino Joacir Cacciatori (morto em 1º.10.2008), Affonso Martignago (morto em 21.9.2009), João Dall Pont (morto em 21.3.2010) e Diva Lucena Libardoni (morta em 28.11.2008)", escreveu Pasquale.
Ainda de acordo com o relatório, seis assinaturas de eleitores de Jupiá não puderam ser comprovadas. Em Novo Horizonte, outras 11 não foram consideradas verdadeiras. Contudo, a maior parte dos problemas ocorreu em São Lourenço do Oeste: "(...) vislumbra-se que dos 130 nomes de eleitores lourencianos apresentados, apenas, e tão somente sete assinaturas tiveram a autenticidade confirmada (5,38 %)", descreve o relatório.
O partido de Kassab corre contra o tempo para cumprir os requisitos para fundação da sigla, até o começo de outubro. O objetivo é que todos estejam aptos a disputar as eleições municipais de 2012. A maioria dos políticos que decidiram ingressar na legenda tem problemas nas suas atuais siglas. Dois governadores, dois senadores e cerca de 30 deputados anunciaram apoio ao PSD durante lançamento do partido em abril deste ano.
De acordo com a legislação eleitoral, um partido para obter o registro de funcionamento no Tribunal Superior Eleitoral precisa apresentar uma lista de fundadores com apoiamento de 0,1% de eleitores em, no mínimo, nove unidades da Federação. Lideranças políticas consideram uma tarefa difícil de ser executada até outubro.
Fonte: iG


