"É difícil proibir a pesca da tainha", diz ministra
Na tarde de sexta-feira (27), a ministra da Pesca e Aqüicultura, Ideli Salvatti, esteve em Brusque para tratar de um assunto pessoal. O Jornalismo da Rádio Cidade aproveitou para conversar sobre os cinco meses da ministra catarinense à frente da pasta, principalmente sobre a alta temporada da pesca da tainha. Estão sendo negociadas liberações apenas para a pesca artesanal, devido a possíveis impactos ambientais.
Ideli explica que "as tainhas saem da Lagoa dos Patos (RS), procurando águas mais quentes para desovar. E, é bem na época que temos a tradição açoriana de pescar a tainha (...) é difícil proibir a pesca da tainha. O certo é proibir", disse a ministra. Todos os anos são feitas negociações da pesca artesanal, devido à questão cultural açoriana. E liberadas autorizações. No Estado são vinte mil. Para a ministra, apenas os pescadores artesanais deveriam legitimamente pescar a tainha.
Neste período, também tem uma tradição de licenças para barcos industriais que, para ela, são causadores de impactos ambientais. "Isso é uma situação complicada. Enquanto eles (barcos industriais) vão com a rede de arrasto pegando 40 toneladas, o pescador fica na beira da praia e pega 4 mil tainhas", comparou Ideli.
Existe uma autorização para 60 barcos devido a algumas pessoas se sensibilizaram, inclusive o Tribunal de Contas da União (TCU), conseguindo reverter uma decisão do próprio Tribunal, que impedia licenças para mais barcos. A ministra falou que deve estar saindo no Diário Oficial na segunda-feira (30) uma lei complementar para autorizar a pesca demais 22 barcos.
Ela disse que, "hoje devemos cuidar, porque antigamente a tainha saia para desovar e chegava até o Espírito Santo. Hoje, a pesca vai até no máximo o litoral de Santa Catarina, o que prova que o número de tainhas não é o mesmo".


