Impasse nas negociações dos têxteis
Surgiu um impasse que ameaça as negociações salariais entre patrões e empregados do setor têxtil de Brusque. Na última segunda-feira (8), aconteceu uma reunião entre os sindicatos que representam ambas as classes e que teve por objetivo discutir a proposta de reajuste e a convenção coletiva 2011/2012. E as notícias não são boas para os trabalhadores.
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Brusque (Sintrafite) e do Sindicato dos Mestres e Contramestres (Sindmestre), ouviram dos patrões a intenção de retirar alguns benefícios garantidos em convenções coletivas há vários anos.
"A contra-proposta do sindicato patronal é de, simplesmente, reduzir o salário do trabalhador têxtil. Eles querem reduzir o adicional noturno, convencionado há 32 anos, de 38% para 20%; retirar o subsídio esposa, convencionado há 38 anos; e o auxilio creche", explica o presidente do Sintrafite, Aníbal Boettger.
Segundo ele, antes, isso nunca tinha sido dificuldade para empresa nenhuma pagar e que agora o sindicato patronal propõe as reduções.
Diante da situação, ainda segundo Boettger, os sindicatos dos trabalhadores insistiram novamente junto ao presidente do sindicato patronal para que esta posição seja revista, "para que o pior não venha a ocorrer. Porque, quando se fala em tirar direitos do trabalhador, a reação é imprevista. Precisamos sentar com maturidade e responsabilidade para chegarmos a um denominador comum e para não haver necessidade do tribunal (Justiça do Trabalho) julgar. Lá, é imprevisível. Alguém sempre sai perdendo", continuou o presidente do Sintrafite.
O sindicalista afirma ainda que a comissão de negociação dos sindicatos vai, "através da união do trabalhador", buscar a manutenção desses direitos e reajustes salariais para a categoria. Ele diz acreditar no bom senso do sindicato patronal para que a negociação seja fechada em comum acordo entre as partes.
Na próxima sexta-feira (20) haverá duas assembleias para discussão do assunto com os trabalhadores. Uma, às 9 horas, e a outra, às 17 horas. Caso não haja acordo entre as partes sobre a negociação da convenção coletiva, o caso vai para dissídio coletivo, quando a Justiça dá a palavra final.
Colaboração: Valdomiro da Motta


